Arthur Raposo Gomes
A Copa do Mundo de 2026 tem um significado especial para Antony Mukendi Kamanda. Natural de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, o estudante de Medicina, de 23 anos, acompanha de São João del-Rei a participação da seleção congolesa no Mundial.

Há três anos no Brasil, Antony estuda no Campus Dom Bosco da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Antes de chegar ao país, ele sequer conhecia a cidade. Agora, vive no interior de Minas Gerais um momento que, para ele, representa a realização de um sonho coletivo.
“Foi uma sensação inexplicável (ver a seleção da R.D. Congo competir uma Copa do Mundo depois de tantos anos), que ainda hoje deixa todo mundo emocionado. Pensar que tem pessoas que nasceram e viveram uma vida toda vendo o Congo sempre perder a chance de qualificação no último momento”, afirma.
Segundo Antony, a presença da seleção congolesa na Copa representa mais do que um feito esportivo. Para ele, trata-se da concretização de uma expectativa carregada por diferentes gerações.
“É a concretização de um sonho, o sonho de várias gerações se realizando. São mais de 110 milhões de habitantes comemorando uma página da história do país”, diz.
Mesmo longe de casa, o estudante tenta manter a conexão com a seleção e com outros colegas estrangeiros durante os jogos. Normalmente, acompanha as partidas pelo computador, em casa. Mas, durante o Mundial, a ideia é reunir amigos para viver a competição de forma coletiva.
“Estamos tentando nos reunir com outros colegas estrangeiros para assistir. Inclusive assistimos ao jogo do Brasil juntos, torcendo por uma vitória do Brasil”, conta.
A relação dos brasileiros com a Seleção também chamou atenção do estudante. Antony afirma que o clima de Copa no Brasil o aproxima das lembranças do próprio país.
“Eu amo a relação do povo brasileiro com a sua seleção, me lembra muito o meu país. Me sinto em casa”, comenta.
A saudade, no entanto, também aparece. Para ele, acompanhar a Copa longe da República Democrática do Congo tem um peso diferente, mas o ambiente brasileiro ajuda a amenizar a distância.
“Não tem como dizer que não sinto falta do meu país, mas o clima da Copa no Brasil me traz a sensação de estar em casa. É muito especial também”, afirma.
Entre os nomes da seleção congolesa, Antony cita Yoane Wissa, do Newcastle, e Cédric Bakambu, do Betis, como jogadores de destaque. Mas, para ele, quem melhor simboliza este momento da equipe é o capitão Chancel Mbemba, pela trajetória construída com a camisa da seleção.
Ao ouvir o hino da República Democrática do Congo tocar em uma Copa do Mundo, mesmo estando a milhares de quilômetros de casa, Antony resume o sentimento em uma palavra: orgulho.
“Senti orgulho de vivenciar esse momento e de fazer parte da história desse país maravilhoso, que merece viver ainda mais momentos de felicidade“, finaliza.
Imagem de destaque: reprodução / rede social – @fecofadrc
Apoio à Produção Jornalística: Deogracia Goleng

Muito obrigado pela Oportunidade de falar do meu país 🙏🇨🇩🇧🇷. Morando aqui, já são brasileiro de coração!