Arthur Raposo Gomes *
Faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições. A essa altura, muita gente já sabe em quem vai votar. Outras pessoas ainda têm dúvidas sobre um ou mais cargos. Há também quem tenha escolhido presidente e governador, por exemplo, mas ainda esteja tentando lembrar o número daquele candidato a deputado que viu algumas vezes nas últimas semanas. Para as campanhas, essa diferença importa.
Desde agosto, candidatos tentam se apresentar, construir uma imagem, tornar o próprio nome conhecido, explicar propostas e convencer eleitores. Na reta final, boa parte desse trabalho continua. Mas outra preocupação começa a ganhar ainda mais espaço: transformar apoio em voto.
É quando aparecem com mais força os pedidos para compartilhar um vídeo, mandar uma mensagem para alguém, colocar um adesivo, participar de uma caminhada ou conversar com amigos e familiares. Quem já foi convencido pode ajudar a convencer outra pessoa.
Nas mídias sociais, isso também aparece. Apoiadores deixam de ser apenas público e passam a ajudar na circulação da campanha. Compartilham cortes, defendem candidaturas nos comentários, levam conteúdos para grupos de WhatsApp e fazem chegar a outros espaços aquilo que começou no perfil de um candidato.
Na rua, a lógica não é tão diferente. Caminhadas, bandeiras, adesivos, encontros e atos ajudam a demonstrar presença e também servem para ativar quem já está próximo.
Não é por acaso que, conforme a votação se aproxima, algumas campanhas passam a falar cada vez mais diretamente com quem já demonstra simpatia.
Convencer continua sendo necessário. Uma eleição pode ter indecisos até os últimos dias e, neste ano, o eleitor brasileiro terá que fazer escolhas para diferentes cargos. Mas conquistar uma preferência não encerra o trabalho de uma campanha. É preciso fazer aquela preferência chegar à urna. E existe uma diferença entre as duas coisas.
Uma pessoa pode gostar de determinado candidato e não lembrar seu número. Pode decidir o voto para presidente e deixar as escolhas proporcionais para os últimos dias. Pode acompanhar uma candidatura nas redes e nunca ter conversado sobre ela fora dali.
É aí que engajamento e mobilização começam a se encontrar. Uma curtida, sozinha, não vira voto. Milhares delas também não garantem resultado eleitoral. Mas uma campanha capaz de transformar parte desse apoio em conversa, circulação de conteúdo, presença nas ruas e lembrança no dia da votação ganha outra dimensão.
Nos últimos dias, essa movimentação fica mais visível justamente porque o tempo começa a faltar. Até 1º de outubro, seguem o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) no rádio e na televisão, os comícios e a possibilidade de impulsionamento de propaganda eleitoral na internet. Caminhadas, carreatas e distribuição de material ainda poderão ocorrer até a véspera da votação. Depois, chega a urna.
Por isso, talvez a reta final não seja exatamente o momento em que uma campanha deixa de tentar convencer para começar a mobilizar. As duas coisas passam a acontecer ao mesmo tempo.
Enquanto ainda existe voto em disputa, existe tentativa de convencimento. Mas quem já escolheu entra cada vez mais no radar das estratégias. Afinal, eleição não se ganha apenas fazendo alguém gostar de uma candidatura.
Em algum momento, esse apoio precisa virar voto.
Aguardemos o passar dos dias.
* Arthur Raposo Gomes é jornalista, publicitário e estrategista em Comunicação.
Imagem de destaque: criação feita via-ChatGPT
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Texto inicialmente e também publicado no portal “Barbacena Online”.
