CRÔNICA: ISSO NÃO É SOBRE FUTEBOL

Greycyelly Miranda

Dia de clássico. Melhor que isso: dia de clássico na final. Nada anima mais o domingo de um mineiro do que um jogo desses. A família reunida no sofá da sala. Um pouco apertado para a quantidade de pessoas. Alguns se penduram no braço do sofá, os mais interessados sentam no chão em frente à televisão para não serem incomodados durante a partida e os torcedores tímidos ficam em pé atrás da janela para bisbilhotar. Meu pai e meu tio já abriram uma cerveja, enquanto minha mãe vem com umas vasilhas de tira gosto da cozinha, colocando sobre a mesinha de centro. Já vai começar.

Por dentro da televisão, a multidão, como formiguinhas, se agita naquele momento de início, em que apesar dos palpites e quereres, não se sabe quem vai ganhar. Ainda é 0x0 e as chances são as mesmas para todos, os 100% de certeza da vitória ainda estão preenchidos no coração de cada um. Todos os ingressos foram vendidos e não havia uma cadeira vazia para contar história.

O início foi apertado. Os dois times começaram ferozes, fechando bem, com defesas sensacionais para ótimos ataques. Foi então que o placar finalmente girou e o 1×0 já dava luz para o campeão. O intervalo deu uma acalmada no time com vantagem, mas deu mais garra para a busca do empate. Que partida sensacional, muita vibração, a linguagem labial traduzida pelo comentarista mostrava a vontade de vencer: “bora eu quero jogo!”, e foi aí, com a bola no chão, que o glorioso empate veio.

Mas o jogo não podia acabar assim. Ainda tinha muita coisa para acontecer. Quem estava na garra não conseguiu segurar muito bem, abrindo margem para o 2×1 com uma boa diferença nas estatísticas. Mesmo com alguns nomes estrangeiros, o time funcionava no ritmo da brasilidade, ou melhor, da mineiridade, do come-quieto, ponto a ponto, sem nunca perder a determinação. Faltava só mais um para terminar, e terminou.

E foi assim que se encerrou a final da Superliga de Vôlei Feminino 2023/24: Minas, 3; Praia Clube, 1. A vitória manteve o time da capital na vantagem de confrontos com o time de Uberlândia, que havia levantado a taça no ano passado. Desde 2018/19, os dois times se enfrentam na final da Superliga, mostrando a qualidade do voleibol mineiro.

É mais que um clássico estadual, é um destaque nacional. Mas que, infelizmente, não recebe um terço do destaque do clássico costumeiro que é Cruzeiro x Atlético. 


Imagem de destaque: reprodução / @voleiminas_oficial

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