Luiz Carlos Gomes Júnior *
Todo Dia do Professor traz homenagens, mensagens de agradecimento e lembranças de quem passou pela nossa formação. É justo que seja assim. Quase todo mundo guarda na memória o nome de algum professor, uma aula específica ou uma história vivida na escola.
Para quem trabalha com Educação Física, muitas dessas lembranças acontecem fora da sala de aula tradicional. Estão na quadra, no pátio, em uma competição, em uma atividade que deu certo e até naquela que precisou ser interrompida e começar de novo.
Ao longo dos anos, a própria Educação Física mudou bastante. A ideia de uma disciplina resumida à prática esportiva ou a alguns minutos de atividade física perdeu espaço. O esporte continua importante, claro, mas faz parte de um campo muito maior. Falar de movimento é falar também de saúde, cultura, convivência, respeito às diferenças, disciplina, cooperação e conhecimento do próprio corpo.
E ensinar tudo isso tem suas particularidades.
Em uma quadra, algumas características dos alunos aparecem rapidamente. Há quem queira participar de tudo e quem procure um canto para não ser chamado. Há quem tenha facilidade com determinado esporte e quem carregue há anos a impressão de que “não leva jeito”. Há disputa, frustração, euforia, vergonha, parceria. O professor precisa lidar com tudo isso enquanto ensina.
Talvez uma das tarefas mais importantes da Educação Física seja justamente mostrar que movimento não pertence apenas aos mais habilidosos. A escola não existe para formar atletas profissionais. O esporte pode revelar talentos, evidentemente, mas a aula precisa fazer sentido também para quem nunca será o mais rápido da turma, não fará a cesta decisiva e não pretende disputar uma competição.
Isso se torna ainda mais importante em uma época em que crianças, adolescentes e adultos passam tantas horas sentados e diante de telas. A escola é também um dos espaços em que o movimento pode ser experimentado de maneira orientada, coletiva e, principalmente, possível para diferentes pessoas.
Mas ser professor vai além da disciplina que cada um ensina. Há planejamento, avaliações, reuniões, formação, burocracias e dificuldades que não aparecem nas homenagens do 15 de outubro. Há também condições de trabalho que precisam melhorar. Valorizar o professor não pode significar apenas reconhecer sua importância em uma data do calendário.
Depois de anos na educação, algumas das melhores respostas sobre o trabalho aparecem muito tempo depois. Um antigo aluno que encontra o professor na rua, uma lembrança de determinada aula, alguém que conta que continuou praticando um esporte ou simplesmente que passou a olhar de outra maneira para algo que aprendeu na escola.
Nem sempre o resultado de uma aula aparece naquele dia. Talvez seja uma das particularidades bonitas da profissão: ensinar sem saber exatamente por quanto tempo aquilo ficará com alguém.
No Dia do Professor, fica o reconhecimento aos colegas que continuam fazendo esse trabalho diariamente, dentro da sala, nos laboratórios, nas quadras e em tantos outros espaços onde a educação acontece.
Feliz Dia do Professor.
* Luiz Carlos Gomes Júnior é professor no Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG) – Campus Barbacena. Mestre em Ciência da Nutrição pela UFV e graduado em Educação Física e Nutrição, atua na educação profissional e superior, com experiência nas áreas de Educação Física, Nutrição e Saúde.
Imagem de destaque: arquivo pessoal
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