Daniela Mendes
Existe uma máxima, construída coletivamente nos meios políticos, jornalísticos e acadêmicos a partir da repetição dos resultados eleitorais: para onde Minas Gerais aponta, o Brasil vai. Isso se deve ao fato de que, na série mais recente, entre 1989 e 2022, Minas Gerais “acertou” o Presidente eleito nove vezes consecutivas. Ou seja, o candidato à Presidência que teve mais votos no Estado, ganhou no resto do país.
Não se trata de uma lei eleitoral nem de uma relação de causa e efeito. Uma possível explicação é que o estado reúne realidades econômicas, sociais e culturais tão diversas quanto as do Brasil. É nesse sentido que o professor de sociologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Fernando Tavares Júnior, afirma, em artigo, que ganhar em Minas significa construir uma coalizão eleitoral ampla e diversa, semelhante à necessária para obter uma vitória nacional. Ou seja, estamos falando mais de espelho do que de termômetro.
Minas Gerais também é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro. O número elevado de eleitores torna o estado indispensável nas disputas apertadas e ajuda a colocá-lo em uma posição de equilíbrio no cenário nacional.
Essa centralidade não é recente. Durante a Primeira República, Minas foi um dos principais centros do poder político brasileiro. O estado também teve participação estratégica na articulação da Revolução de 1930, no movimento de oposição ao Estado Novo, na redemocratização de 1945 e na transição que encerrou a ditadura militar.
Se Minas Gerais é frequentemente tratada como um espelho eleitoral do Brasil, observar quem ocupa a Assembleia mineira também ajuda a compreender quais grupos conquistam espaço e poder na política e quais continuam sub-representados.
Retrato da ALMG: poder continua masculino e economicamente concentrado
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais chega ao final da atual legislatura mais diversa do que em períodos anteriores, mas ainda distante de refletir a população que representa. Entre os 77 parlamentares em exercício, predominam homens, deputados com patrimônio elevado e partidos situados entre o centro e a direita, enquanto mulheres e a população negra permanecem sub-representadas.
Este retrato combina informações da composição atual da ALMG com dados declarados pelos candidatos nas eleições de 2022. A distinção é necessária porque, desde o início da legislatura, ocorreram substituições de mandato, afastamentos e mudanças partidárias. A atual composição da Assembleia tem 17 deputadas e 60 deputados. Isso significa que as mulheres ocupam 22,1% das cadeiras, contra 77,9% dos homens.
A legislatura começou, em 2023, com 15 mulheres eleitas, então o maior número da história da ALMG. As alterações ocorridas durante os mandatos elevaram a presença feminina para 17 parlamentares. O recorde, no entanto, não significa igualdade. As mulheres representam 52,48% do eleitorado mineiro em 2026, mas ocupam pouco mais de um quinto do Parlamento. Se a composição da Assembleia acompanhasse a proporção do eleitorado, Minas Gerais teria cerca de 40 deputadas, e não 17.
A desigualdade também aparece na ocupação dos espaços de comando. Embora a atual Mesa tenha Leninha, do PT, como primeira-vice-presidente, a presidência da Casa e a maior parte das posições de liderança continuam nas mãos de homens.

População negra permanece sub-representada na ALMG
A desigualdade é ainda maior quando se observa a raça dos parlamentares. No início da legislatura, 14 deputados e deputadas se autodeclaravam pretos ou pardos, o equivalente a 18,2% das cadeiras. Apesar de ser o maior número já registrado pela Assembleia, o percentual está muito abaixo do perfil da população mineira.
Segundo o Censo de 2022, aproximadamente 58,6% dos habitantes de Minas Gerais são negros: 46,8% se declararam pardos e 11,8%, pretos. Uma representação proporcional corresponderia a cerca de 45 parlamentares negros na ALMG. A composição inicial da legislatura tinha apenas 14.
A diferença entre a participação na sociedade e no Parlamento ultrapassa 40 pontos percentuais. Em outras palavras, embora pretos e pardos constituam a maioria da população mineira, representavam menos de um quinto dos deputados estaduais no começo da legislatura.
Não existe, no cadastro atual da ALMG, uma consolidação racial atualizada depois das substituições de mandato. Por isso, o número de 14 parlamentares negros corresponde ao perfil registrado no início da legislatura e deve ser entendido como referência, não como uma contagem atualizada de setembro de 2026.

Quase metade dos eleitos declarou patrimônio milionário
Outro traço marcante da Assembleia é a concentração patrimonial. Aqui, é importante fazer uma distinção: os candidatos não apresentam à Justiça Eleitoral uma declaração pública de renda, mas uma declaração de bens. O documento inclui imóveis, veículos, participações em empresas, aplicações financeiras e saldos bancários. Os valores são informados pelos próprios candidatos e podem não corresponder ao preço atual de mercado. Portanto, não indicam salário, renda mensal ou patrimônio líquido atualizado.
Dos 77 deputados eleitos em 2022, 35 declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão. Isso representa 45,45% dos eleitos. Naquele levantamento, somente uma mulher aparecia entre os parlamentares milionários. Entre eles, um se auto declarava preto e oito, pardos. Portanto, nove dos 35 milionários eram negros, considerando a soma de pretos e pardos.
O maior patrimônio declarado entre os eleitos em 2022 foi o de Roberto Andrade, hoje no PRD, com R$ 17,2 milhões. Em seguida apareciam Leonídio Bouças, do PSDB, com R$ 8,5 milhões; Dr. Maurício, do Novo, com R$ 8,3 milhões; Alencar Silveira Jr., então eleito pelo PDT, com R$ 8,1 milhões; e Doutor Wilson Batista, atualmente no PSD, com R$ 5,6 milhões.
A lista é uma fotografia dos eleitos em 2022 e não apenas dos atuais integrantes da Assembleia. Alencar Silveira Jr., por exemplo, deixou o mandato depois de ser eleito prefeito em 2024.
O patrimônio declarado não comprova, por si só, que o parlamentar utilizou recursos próprios na campanha. Mas recursos financeiros, redes empresariais, vínculos profissionais e estruturas políticas locais podem ampliar o acesso a financiamento, visibilidade e bases eleitorais.

PT e PSD dividem a maior bancada
A ALMG tem atualmente 17 partidos representados. PT e PSD dividem a posição de maiores bancadas, com 14 deputados cada. O PL aparece em seguida, com 12 cadeiras. O União Brasil possui sete deputados; o PP, seis; o Republicanos, cinco; e o PV, quatro. Avante, MDB, Novo, PSB e PSDB têm dois parlamentares cada. Cidadania, PCdoB, PDT, PRD e Rede contam com uma cadeira cada.
A distribuição partidária foi profundamente alterada pela janela de 2026. Ao todo, 17 deputados trocaram de partido. O PSD cresceu e alcançou o PT, enquanto o União Brasil recebeu quatro novos integrantes. PSOL, Podemos, Solidariedade e Mobiliza perderam toda a representação.
Embora 17 legendas estejam presentes, mais da metade das cadeiras está concentrada nos três maiores partidos. PT, PSD e PL possuem, juntos, 40 deputados, ou aproximadamente 52% da Assembleia. Ao mesmo tempo, dez partidos têm somente um ou dois representantes. Essa combinação entre concentração e fragmentação fortalece os líderes partidários e os blocos parlamentares, responsáveis por negociar posições em comissões, relatorias, cargos internos e prioridades de votação.

Centro e direita controlam a maioria
Os partidos não possuem uma classificação ideológica oficial e algumas legendas reúnem correntes bastante diferentes. Por isso, qualquer divisão deve ser entendida como uma classificação editorial aproximada. Neste levantamento, PT, PV, PCdoB, PSB, PDT e Rede foram agrupados na esquerda e na centro-esquerda, somando 23 deputados. PSD, MDB, PSDB e Cidadania foram classificados como partidos de centro, com 19 cadeiras. PL, União Brasil, PP, Republicanos, Novo, Avante e PRD foram colocados na centro-direita e na direita, reunindo 35 parlamentares.
Mais importante do que a classificação formal é o comportamento político dentro da Assembleia. No início do segundo biênio da legislatura, os blocos Minas em Frente e Avança Minas reuniam 46 deputados e declaravam apoio ao governo Romeu Zema, do Novo.
O bloco de oposição Democracia e Luta contava com 20 parlamentares. O PL, que naquele momento possuía 11 deputados, decidiu atuar fora dos blocos, mas sua liderança informou que o partido continuaria integrando a base governista.
Esse arranjo colocava aproximadamente 57 dos 77 deputados, ou 74% do Plenário, no campo de sustentação do governo estadual. As mudanças partidárias posteriores podem alterar a disciplina das bancadas, mas não eliminaram a existência de uma ampla maioria formada por partidos de centro, centro-direita e direita.

Interior tem força, mas Região Central concentra votos
Os deputados estaduais não são eleitos por distritos ou regiões. Cada candidato pode receber votos em todos os municípios de Minas Gerais. Portanto, juridicamente, não existe um número determinado de representantes do Norte, do Sul, da Zona da Mata ou do Campo das Vertentes.
Na prática, porém, os parlamentares constroem bases territoriais. Elas podem ser formadas por prefeituras, vereadores, sindicatos, igrejas, associações profissionais, movimentos sociais ou grupos econômicos concentrados em determinadas cidades.
Em sete das dez macrorregiões mineiras, o candidato mais votado em 2022 já exercia mandato. O resultado demonstra a força das estruturas políticas estabelecidas e a vantagem eleitoral dos parlamentares que conseguem manter redes municipais durante o mandato. O que mostra uma política bem conservadora e com poucas chances de renovação.
Também existe uma grande desigualdade no tamanho dos mercados eleitorais. A Região Central registrou aproximadamente 3,96 milhões de votos válidos para deputado estadual em 2022, quase 36% do total contabilizado nas dez macrorregiões. No Noroeste, foram cerca de 208 mil votos.
A concentração populacional na Grande Belo Horizonte favorece candidaturas com projeção metropolitana ou estadual. No interior, por outro lado, candidatos com votação concentrada em determinadas cidades podem conquistar uma parcela expressiva dos votos locais e se tornar competitivos no sistema proporcional.
Como funciona a eleição para a ALMG
Nas eleições de 2026, as 77 cadeiras da ALMG estarão novamente em disputa. A eleição para deputado estadual não funciona como a disputa para governador. Não basta reunir os candidatos mais votados individualmente, porque o sistema é proporcional.
Primeiro, os votos determinam quantas cadeiras cada partido ou federação receberá. Depois, as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro de cada lista que cumprirem as exigências eleitorais. Assim, o voto dado a uma candidatura também ajuda o grupo político ao qual ela pertence.
Todos os candidatos a deputado estadual disputam votos em todo o território mineiro. Uma eleitora de São João del-Rei pode votar em qualquer candidato registrado para o cargo em Minas Gerais.
Assim como na eleição para deputado federal, o voto pode ser nominal, quando o eleitor digita os cinco números do candidato, ou de legenda, quando escolhe apenas o partido digitando seus dois números. Tanto o voto nominal quanto o voto de legenda entram na conta do partido ou da federação.
A diferença é que o voto nominal também posiciona o candidato na lista interna do grupo. O voto de legenda ajuda o partido ou a federação a conquistar cadeiras, mas não é atribuído individualmente a nenhum candidato.
Quocientes eleitoral e partidário
Os votos brancos e nulos ficam fora do cálculo do quociente eleitoral. Para encontrá-lo, divide-se o total de votos válidos pelo número de cadeiras em disputa: Quociente eleitoral = votos válidos ÷ número de cadeiras
Como o número de votos válidos só é conhecido depois da votação, o quociente eleitoral também só pode ser calculado após o fechamento das urnas. Em 2022, ele foi de 143.852 votos para deputado estadual em Minas Gerais. No cálculo do resultado do quociente eleitoral, a fração igual ou inferior a 0,5 é desprezada. Se for superior a 0,5, o resultado é arredondado para cima.
Em seguida, calcula-se o quociente partidário para saber quantas cadeiras cada partido ou federação conquistará inicialmente: Quociente partidário = votos do partido ou da federação ÷ quociente eleitoral
Entram nessa conta todos os votos nominais recebidos pelos candidatos da lista e os votos dados diretamente à legenda. No quociente partidário, considera-se somente a parte inteira do resultado. A fração é sempre desprezada. Se um partido ou federação conquistar quatro cadeiras, elas serão destinadas inicialmente aos quatro candidatos mais votados daquela lista que cumprirem a votação mínima exigida.
Para ocupar uma cadeira conquistada pelo quociente partidário, o candidato precisa receber pelo menos 10% do quociente eleitoral. Se o quociente fosse de 100 mil votos, a votação individual mínima seria de 10 mil. Um partido pode conquistar quatro vagas, mas não conseguir preenchê-las integralmente se não tiver quatro candidatos com a votação mínima. As cadeiras não ocupadas passam a integrar as sobras eleitorais.
Um candidato muito votado pode ajudar a eleger outros porque todos os votos nominais são somados à votação do partido ou da federação. É o chamado efeito do “puxador de votos”. Mas o puxador não escolhe pessoalmente quem será beneficiado. As cadeiras são ocupadas de acordo com a votação nominal de cada candidato, a posição dentro da lista e as regras de desempenho mínimo. Isso significa que uma candidatura pode contribuir para a eleição de pessoas que defendem posições bastante diferentes, desde que estejam no mesmo partido ou na mesma federação.
Federações somam votos e disputam como uma única legenda
Na eleição proporcional, os partidos reunidos em uma federação são considerados uma única legenda. Os votos recebidos por todas as candidaturas e pelos partidos integrantes são somados, e as cadeiras conquistadas pertencem ao conjunto da federação.
Os candidatos dos diferentes partidos federados formam uma lista única. Depois de definido o número de vagas obtidas pela federação, elas são ocupadas pelos candidatos mais votados dessa lista, independentemente do partido ao qual cada um esteja filiado.
Isso significa que o voto dado a uma candidatura pode ajudar a eleger alguém de outro partido da mesma federação. Pode acontecer, inclusive, de a federação conquistar várias cadeiras, mas um dos partidos integrantes não eleger nenhum representante. Os partidos que não participam de federações disputam separadamente e dependem apenas dos votos recebidos por suas próprias candidaturas e pela legenda. Nas eleições proporcionais, como a disputa para deputado estadual, não são permitidas coligações partidárias.
Como são distribuídas as sobras eleitorais
Nem todas as 77 cadeiras da Assembleia são necessariamente preenchidas na primeira etapa do cálculo. Isso ocorre porque as frações resultantes da divisão pelo quociente partidário são desprezadas ou porque uma legenda não possui candidatos que tenham alcançado a votação individual mínima.
As vagas que permanecem abertas são chamadas de sobras eleitorais. Na primeira distribuição das sobras, o partido ou a federação precisa ter recebido pelo menos 80% do quociente eleitoral e possuir um candidato com votação equivalente a, no mínimo, 20% desse quociente. Se o quociente eleitoral fosse de 100 mil votos, a legenda precisaria alcançar pelo menos 80 mil votos e apresentar um candidato com, no mínimo, 20 mil.
As cadeiras são distribuídas sucessivamente pelo critério das maiores médias. Para encontrar a média de cada partido ou federação, divide-se o total de votos da legenda pelo número de cadeiras já conquistadas, acrescido de um: Média = votos do partido ou da federação ÷ (cadeiras já conquistadas + 1)
Cada vez que uma vaga é concedida, o cálculo é refeito, incluindo a nova cadeira no total obtido pelo grupo. O procedimento se repete até o preenchimento das vagas dessa etapa. Se ainda restarem cadeiras, começa uma rodada final. Nela, podem participar todos os partidos e federações que disputaram a eleição, mesmo os que não atingiram 80% do quociente eleitoral. As vagas também podem ser ocupadas independentemente de votação mínima individual.
A distribuição continua sendo feita pelo critério das maiores médias. Essa é a sistemática estabelecida para as eleições de 2026 pelo Tribunal Superior Eleitoral depois de decisão do Supremo Tribunal Federal.
Ter mais votos não garante a eleição
Como as cadeiras são distribuídas inicialmente entre partidos e federações, a votação individual não é suficiente para garantir um mandato. Um candidato pode receber mais votos do que outro e não ser eleito porque seu grupo político não conquistou cadeiras suficientes. Ao mesmo tempo, uma candidatura com menos votos pode entrar para a Assembleia por integrar uma legenda ou federação com melhor desempenho coletivo.
Há, portanto, duas disputas acontecendo simultaneamente. O partido ou a federação precisa conquistar vagas, enquanto o candidato precisa alcançar uma boa posição na lista formada por seus companheiros de legenda. Por isso, a escolha de um deputado estadual não deve considerar apenas o nome apresentado na urna. Também é importante conhecer o partido, a federação, os demais candidatos da mesma lista, o programa e as alianças que compõem aquele grupo político.
O voto dado a uma candidatura individual também contribui para definir a força e o tamanho de sua bancada na Assembleia Legislativa. A mesma lógica é utilizada na eleição para deputado federal. A diferença é que, nesse caso, os votos válidos são divididos pelas 53 cadeiras reservadas a Minas Gerais na Câmara dos Deputados.
Mais que distribuir emendas, deputados devem controlar o governo
A existência do deputado estadual está ligada a um princípio básico da democracia: quem governa não pode decidir sozinho. Enquanto o governador administra o Estado, cabe à Assembleia discutir e aprovar leis, decidir sobre o orçamento, representar a sociedade e fiscalizar a atuação do Poder Executivo. Sem esse controle, uma parcela excessiva do poder ficaria concentrada nas mãos do governo.
Os deputados votam matérias relacionadas a impostos estaduais, orçamento, educação, saúde, segurança pública, transporte intermunicipal, meio ambiente, servidores e organização da administração estadual. Também podem pedir informações ao governo, convocar secretários, promover audiências, instalar comissões parlamentares de inquérito e investigar irregularidades.
Na prática, entretanto, o trabalho parlamentar muitas vezes é apresentado à população de forma reduzida. Deputados divulgam recursos destinados a hospitais, prefeituras, associações e obras como se fossem responsáveis diretos pela realização desses serviços.
As emendas são importantes, especialmente para municípios com pouca capacidade financeira, mas representam apenas uma parte do mandato. Além disso, o dinheiro não pertence ao parlamentar: é recurso público, retirado do orçamento estadual e executado pelo governo ou pela instituição beneficiada.
Quando a atuação de um deputado é medida somente pela quantidade de emendas destinadas à sua base, a representação política corre o risco de ser transformada em uma relação de favor. O parlamentar aparece como benfeitor, enquanto ficam em segundo plano suas votações, suas alianças, os interesses que defende e a maneira como fiscaliza o uso do dinheiro público.
Essa fiscalização se torna ainda mais necessária em uma Assembleia na qual o governo conta com uma maioria ampla. Apoiar o governador não elimina a responsabilidade de questioná-lo, cobrar informações, investigar irregularidades e impedir medidas contrárias ao interesse público. Quando a base governista deixa de exercer esse controle, a separação entre Executivo e Legislativo fica enfraquecida, mesmo que os dois Poderes continuem formalmente independentes.
Por isso, avaliar uma candidatura a deputado estadual exige olhar além das obras anunciadas e dos recursos enviados aos municípios. É necessário verificar como o parlamentar vota, quais projetos apresenta, a que partido ou federação pertence, quais alianças mantém e se exerce, de fato, a função de fiscalizar o governo. Escolher um deputado estadual não significa apenas selecionar alguém para defender uma cidade ou encaminhar verbas. Significa decidir quem terá poder para aprovar leis, alterar o orçamento, autorizar políticas públicas e controlar o governador.
Em uma democracia, o valor de um mandato não está somente na proximidade com o Executivo, mas também na capacidade de manter independência diante dele. E o voto para deputado estadual não escolhe apenas uma pessoa: ajuda a formar uma bancada, fortalece um partido ou uma federação e define quem fiscalizará, ou deixará de fiscalizar, o próximo governo de Minas Gerais.
Apoio Editorial: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Guilherme Bergamini / ALMG
