CRÔNICA: IDAS E VINDAS

Eduardo Patzi

Entre idas e vindas, vejo a rodoviária com diferentes pessoas e diferentes histórias, indo e vindo de diferentes casas, crenças e gostos: do cristão ao ateu, do artista ao economista, do jovem ao idoso. Pessoas mais felizes, pessoas mais tristes, pessoas que vêm de muito longe e pessoas daqui, do outro lado da rua. Todas indo e vindo, até que, de repente, estamos no mesmo ônibus, seguindo para o mesmo destino.

No silêncio da madrugada, o motorista, que também é uma pessoa e já viu tantas histórias, permanece focado na direção. O ônibus segue viagem pela estrada escura e perigosa. Logo atrás, cada passageiro vive em seu mundo particular. Há pessoas dormindo profundamente e outras que não dormem de jeito nenhum; pessoas olhando pela janela, assistindo a vídeos, ouvindo músicas ou lendo. Todas indo para o mesmo destino.

Durante as paradas, há pessoas que descem para andar, pessoas que vão comer e outras que preferem simplesmente esperar. Eu sou uma delas. Enquanto espero, imagino o que se passa na vida de cada um: “Será que o moço de blusa azul está indo visitar a família?”, “Que música será que ela está ouvindo?”, “Será que ele está indo ou voltando?”. Cada uma dessas pessoas tem suas questões, alguém importante, um problema para resolver, sonhos para realizar e medos para enfrentar. Tudo isso está na pessoa ao lado.

A viagem é longa, e os devaneios continuam. Já se passaram seis horas desde a partida. Passei por inúmeras cidades e percebo como o país é grande. Pergunto-me sobre as particularidades de cada lugar, como deve ser a vida diária em cada um deles e quais são suas dimensões geográficas e populacionais.

Agora, estou mais perto de chegar ao meu destino. O escuro da madrugada já passou, o sol bate na janela e não há mais ninguém dormindo. Passo a reconhecer minha cidade, os caminhos, os prédios e a diferença no movimento. Começo a afunilar os pensamentos e a imaginar meu bairro, o encontro com familiares e amigos. Consigo imaginar o cheiro do café pela manhã e começo até a ficar ansioso pelas novidades.

O ônibus finalmente chega à rodoviária, e cada uma das pessoas que se reuniu aleatoriamente dentro dele passa a se apressar para sair e dar seguimento à própria vida. Cada uma segue para um canto da cidade, com objetivos diferentes. Eu, como todos os outros, também vou para o meu canto, onde tudo é familiar. Me dê um abraço, estou chegando. A hora do encontro também é despedida.

No decorrer dos dias, estarei novamente na rodoviária, esperando o meu ônibus. Encontrarei, outra vez, pessoas indo e vindo, com objetivos e vidas completamente diferentes. Cada uma com suas particularidades, mas todas seguindo para o mesmo destino.


Supervisão: Paulo Henrique Caetano

Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: Arthur Raposo Gomes / arquivo

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