Mariana Nascimento
Mais do que ensinar futebol, uma escolinha esportiva tem proporcionado oportunidades de aprendizado e convivência para crianças dos bairros São Geraldo, Bela Vista, Araçá e região, em São João del-Rei. Entre dribles, passes e gols, o projeto reúne semanalmente meninos e meninas em um ambiente que estimula o respeito, a disciplina e o trabalho em equipe.
Com 11 anos, Gabriele Ribeiro afirma que a escolinha vai além do aprendizado dentro das quatro linhas. Segundo ela, o esporte ensina a competir com respeito, incentivando esse valor também na convivência do dia a dia.
Ela acrescenta que as aulas mostram a importância de saber perder, respeitando a vitória do adversário, e reforçam a união entre os integrantes ao afirmar que “um time tem a necessidade de união para conquistar a vitória.”
As atividades reúnem crianças da mesma região da cidade em um ambiente de convivência e prática. Muitas delas já se conhecem da escola ou do próprio bairro, mas os treinos fortalecem essas amizades e criam novas oportunidades de interação por meio do esporte.

Para Jonas Ribeiro, de 9 anos, essa convivência faz diferença também fora do campo.
“O futebol ajuda na convivência das pessoas, porque elas têm que socializar umas com as outras. E na questão dos estudos também ajuda, porque desestressa e abre a mente para estudar“, argumenta.
Ele conta ainda que, além do futebol, aprende “disciplina, trabalho em equipe, a vencer as derrotas e respeitar os adversários”.
Além de estimular a prática de atividades físicas desde a infância, a escolinha contribui para a construção de hábitos saudáveis e para o desenvolvimento da coordenação motora, da concentração e da autoconfiança. A cada treino, os participantes são incentivados a superar desafios, respeitar regras e compreender a importância do esforço coletivo para alcançar resultados.
O pai Alessandro Magela decidiu matricular os filhos após perceber o interesse deles pelo esporte e enxergar na escolinha uma oportunidade de incentivar uma atividade saudável e reduzir o tempo em frente às telas.
Para ele, iniciativas como essa são importantes porque “aprimoram o processo de socialização das crianças e, para quem já está na pré-adolescência, também representam uma oportunidade de resistência ao envolvimento em atividades ilícitas.”
Alessandro ainda incentiva outros pais a fazerem o mesmo.
“Tenho notado que meus filhos estão gostando bastante e, nas nossas conversas, os comentários deles são sempre positivos. Sempre que possível, os pais também devem acompanhar as crianças“, defende.
Para muitas crianças, a escolinha representa também um momento de lazer e diversão. Fora da rotina escolar, elas encontram um espaço seguro para brincar, aprender e compartilhar experiências com colegas que dividem a mesma paixão pelo futebol.
Maria Eduarda Silva, de 8 anos, conta que percebe reflexos desse aprendizado também na escola.
“Acho que sim. No futebol eu aprendi a prestar mais atenção, e a trabalhar em equipe. Na escola eu também tento ajudar meus amigos e respeitar todo mundo”, narra Maria Eduarda.

Ela destaca ainda que, durante os treinos, aprende “a não desistir quando as coisas ficam difíceis e que ganhar é legal, mas perder também faz parte. A gente também aprende a dividir e a brincar junto”.
A iniciativa também desempenha um importante papel social ao oferecer uma atividade que aproxima as famílias e fortalece o sentimento de pertencimento à comunidade. O esporte se torna uma ferramenta de inclusão, incentivando a convivência, o respeito às diferenças e a formação de valores que podem acompanhar essas crianças ao longo da vida.
Para Luquete Ribeiro, mãe de Gabriele e Jonas, o principal motivo para matricular os filhos foi o interesse das crianças pelo esporte e a oportunidade de mantê-los mais tempo longe do celular.
Ela acredita que projetos como esse fortalecem a socialização e ressalta que “toda prática esportiva na comunidade é sempre bem-vinda“. Ao falar com outros pais, ela resume: “é uma boa opção para as crianças da comunidade”.
Embora o sonho de alguns participantes seja seguir carreira no futebol, o principal objetivo da escolinha vai além da formação de atletas. O projeto busca contribuir para o crescimento pessoal das crianças, mostrando que dedicação, cooperação e responsabilidade são aprendizados tão importantes quanto marcar um gol.
Aos 6 anos, Ryan Faria também percebe que os ensinamentos ultrapassam o campo.
“Eu faço amigos aqui e aprendi a escutar a minha professora. Na escola eu também gosto de brincar com meus amigos e dividir as coisas”, explica.
Sobre o que aprende durante os treinos, ele responde com simplicidade. “Eu aprendo a respeitar meus amigos, esperar minha vez e não ficar bravo quando eu perco. O mais legal é brincar com todo mundo”, avalia.

Imagem de destaque: Mariana Nascimento
Edição: Najla Passos e Arthur Raposo Gomes
Supervisão: Arthur Raposo Gomes
