ARTIGO DE OPINIÃO: POR QUE ALGUNS MANDATOS NÃO CONSEGUEM TRANSFORMAR TRABALHO EM CAPITAL POLÍTICO?

Arthur Raposo Gomes *

É comum encontrar mandatos que acumulam entregas, participam ativamente dos debates da cidade, conseguem recursos e mantêm uma rotina intensa de atuação. Ainda assim, quando chega o momento de medir reconhecimento, influência ou capacidade de mobilização, os resultados nem sempre aparecem na mesma proporção. Isso acontece porque trabalho, por si só, não gera capital político automaticamente.

A Comunicação Política de um mandato municipal é, ao mesmo tempo, oportunidade e armadilha.

Oportunidade porque permite mostrar resultados concretos que fazem parte da vida da população. Armadilha porque, sem estratégia, pode se transformar em improviso, repetição e desgaste.

1. Confundir divulgação com comunicação

Ainda é comum encontrar mandatos que tratam comunicação apenas como divulgação de agenda. É foto de reunião, registro de evento, entrega de recurso, visita institucional. Tudo isso tem seu valor. O problema aparece quando a comunicação se resume a isso.

Comunicar não é apenas mostrar o que foi feito. É ajudar as pessoas a entenderem por que aquilo foi feito, qual problema está sendo enfrentado e qual visão de cidade está por trás daquela ação.

Sem contexto, muitas vezes a publicação vira apenas mais uma publicação.

2. Falar apenas para quem já acompanha o mandato

As mídias sociais são ferramentas fundamentais, mas não são suficientes sozinhas.

Em muitas cidades, a informação ainda circula por diferentes caminhos. Passa pela rádio local, pela imprensa regional, pelos grupos de WhatsApp, pelas conversas de bairro e pelas lideranças comunitárias.

Quando um mandato concentra toda a sua energia apenas no próprio perfil, corre o risco de falar sempre para as mesmas pessoas.

É preciso ampliar alcance. E isso passa por construir relação com quem ajuda a formar opinião no território.

3. Não construir uma narrativa

Talvez esse seja um dos erros mais frequentes.

O mandato divulga uma emenda numa semana, participa de uma reunião na outra, acompanha uma obra no mês seguinte. As ações existem, mas ficam soltas.

Com o tempo, a população passa a conhecer atividades, mas não necessariamente o projeto político que está por trás delas. E política também é construção de sentido.

As pessoas precisam conseguir responder, de forma simples, o que aquele mandato defende, quais pautas prioriza e que cidade pretende ajudar a construir.

Ou seja…

Comunicação não deveria ser tratada como uma tarefa operacional ou como algo que só ganha importância em período eleitoral. Ela faz parte do próprio exercício do mandato.

O desafio está em transformar ações cotidianas em algo maior do que uma sequência de publicações. É conectar iniciativas, explicar escolhas, prestar contas e construir presença pública de forma coerente ao longo do tempo.

Porque, no fim das contas, não basta ser visto. É preciso ser compreendido.

E essa costuma ser a diferença entre mandatos que apenas divulgam atividades e mandatos que conseguem construir reconhecimento político.

* Arthur Raposo Gomes é jornalista, publicitário e estrategista em Comunicação.


Imagem de destaque: criação feita via-ChatGPT pelo Notícias del-Rei

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