Arthur Raposo Gomes
A Justiça manteve preso o argentino Eduardo Ignacio, de 63 anos, detido após um caso de injúria racial registrado durante um passeio de Maria Fumaça entre Tiradentes e São João del-Rei, no último domingo (24).
A decisão foi tomada no fim da tarde desta segunda (25), durante audiência de custódia realizada na 1ª Vara Criminal da Comarca de São João del-Rei, quando a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. A informação foi recebida pela reportagem do Notícias del-Rei e confirmada junto a assessoria de imprensa do próprio Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
O caso repercutiu após o turista ser acusado de fotografar uma criança de 7 anos dentro do trem e enviar mensagens com conteúdo racista por aplicativo de celular. Nesta segunda (25), até o “Jornal Nacional”, da TV Globo, transmitiu uma matéria sobre o caso.
Segundo relatos de passageiros, pessoas que estavam no vagão perceberam a situação e acionaram a equipe de segurança da Maria Fumaça. O homem foi contido até a chegada da Polícia Militar.
A mãe da criança, moradora do Rio de Janeiro, afirmou, em entrevista à imprensa nacional, que estava na região para uma viagem em família.
Em nota, a VLI, concessionária responsável pela operação da Maria Fumaça, repudiou o ocorrido e informou que acionou as autoridades assim que tomou conhecimento da denúncia.
Com a decisão judicial desta segunda-feira, o argentino seguirá preso enquanto o caso continua sendo investigado.
Entenda o que é prisão preventiva
A prisão preventiva é uma medida considerada excepcional pela Justiça e pode ser decretada antes mesmo do julgamento de uma pessoa. Ela ocorre quando o juiz entende que a liberdade do investigado representa algum risco concreto para o andamento do processo ou para a sociedade.
Para que a preventiva seja determinada, é necessário que existam indícios de autoria, prova da existência do crime e justificativas específicas, como risco de fuga, ameaça a testemunhas, possibilidade de atrapalhar as investigações ou chance de voltar a cometer crimes.
Já durante a audiência de custódia, o juiz não analisa se a pessoa é culpada ou inocente. Nesse momento, a avaliação é sobre a legalidade da prisão e a necessidade de manter o investigado preso, aplicar medidas cautelares ou conceder liberdade.
Sem contato com a defesa
O Notícias del-Rei não conseguiu contato com a equipe jurídica que defende o argentino no Brasil até a publicação desta matéria.
O espaço segue aberto.
Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Magnific
