CRÔNICA: ENTRE BASTIDORES E DECISÕES – O PRAGMATISMO DE SABER O MOMENTO CERTO

Arthur Raposo Gomes

Há quem enxergue certos homens como figuras de bastidor: circulam sem chamar atenção, mas estão sempre bem informados, sempre articulando. Já foram (e algumas vezes ainda são) chamados, pejorativamente ou não, de “eminências pardas”: presença discreta que alimenta a imaginação dos que acreditam que tudo tem alguém por trás. E, de fato, em muitos momentos, já ocuparam esse lugar – sem negar, nem afirmar demais, apenas exercendo a função quando necessário.

O que quase nunca se percebe é que esse arquétipo não é fixo. Há quem tenha ensinado, conduzido projetos próprios, criado iniciativas paralelas, atuado fora da política. Cada espaço exigiu um modo de se mover: ora com o peso institucional, ora incansável, ora com a leveza de quem só queria viajar por uma nova estrada. E realmente viajou.

Há dias em que observar mais do que falar e calcular mais do que agir é o que sustenta. Mas há outros em que largar o jogo é a melhor escolha: sentar à mesa sem pauta, caminhar sem relógio, conversar sem pressa. Não se trata de romantismo, mas de vivência. Ninguém sustenta o bastidor e “tem governabilidade” de tudo o tempo todo.

A imagem de quem controla tudo conforta os outros, mas não corresponde à realidade. O homem de bastidores também sabe pausar. Sabe quando articular e quando desligar. Não precisa provar se domina ou não o jogo.

No fim, talvez seja isso: ser, quando necessário, aquele que move, mas também escolher momentos de presença. Alternar entre os dois não é fraqueza. É pragmatismo: o mesmo que se aprende no magistério, nos projetos paralelos e nas articulações políticas.

E se em algum momento a pausa foi necessária, agora o movimento já voltou. Aos poucos, ou nem tanto assim, a eminência retoma seu ofício e a presença anuncia que ele nunca deixou de estar por perto.


Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik

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