ARTIGO: QUANDO AS MULHERES VÃO VIVER SEM MEDO? O RETRATO DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

Danielle Medeiros

“A vida começa quando a violência acaba” – essa frase foi dita por Maria da Penha Maia Fernandes, ativista brasileira e símbolo na luta da violência contra a mulher. A citação da ativista nos insere em um imaginário de medo e de questionamentos, pois a violência contra a mulher vem aumentando expressivamente em nosso país, ao passo que medidas contra esse problema alarmante muitas vezes não são aplicadas, vulnerabilizando meninas e mulheres.

Em São João del-Rei, em uma entrevista dada à Rádio Emboabas, a delegada Bruna Carla, da Delegacia da Mulher de São João del-Rei, disse que a quantidade de casos de violência contra a mulher na cidade são preoeupantes. No ano de 2023, foram 629 boletins de ocorrência. Já em 2024, só nos três primeiros meses, houve 167 boletins de ocorrência de violência contra a mulher.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.238.208 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência no país – apenas em 2023. Os números incluem homicídio e feminicídio, violência doméstica, ameaça, perseguição, estupro e violência psicológica. As vítimas mais afetadas por esses crimes são mulheres negras: elas correspondem a 63,6% das vítimas de feminicídio. Em 2021, ocorreram 1.319 casos desse crime no Brasil. Os números assustam mais ainda quando pensarmos que não se trata de números, mas de mulheres que foram mortas pelo simples fato de serem mulheres.

Atualmente, a violência doméstica é considerada o maior crime contra a mulher no país. Segundo uma pesquisa do DataSenado, uma em cada cinco brasileiras assumiu ter sido vítima de violência doméstica ou familiar provocada por um homem. Além da violência doméstica, é inevitável falar sobre a violência sexual, que é face complementar da violência doméstica, gerando preocupação para principalmente as mulheres, que são geralmente os principais alvos para esse crime. Em 2022, foram registrados 221.240 casos de violência sexual contra meninas e mulheres, o que representa uma agressão a cada 2 minutos.

Ser mulher no Brasil não é fácil. É acordar sabendo que todos os dias uma batalha será travada, contra o machismo, as agressões, os inúmeros abusos, os vários lipos de violência e os feminicídios. E essa batalha não é nova: pelo contrário, é uma luta antiga, da qual as mulheres sempre tiveram que lidar.

O mais assustador é perceber que muitas vezes o agressor não está muito longe: muitas vezes está dentro de casa, no trabalho, nas ruas. É o parceiro, o patrão, o “amigo”, que passa dos limites, o desconhecido que se sente no direito de invadir e violar os corpos ou vidas de mulheres.

O medo acaba se tornando rotina e a liberdade começa a ser cada vez mais minada. Ser mulher é resistir todos os dias. Mas também é gritar por mudanças. E essas mudanças só virão quando houver punições severas, educação e uma sociedade que pare de culpar a vítima e comece a enfrentar o agressor.

Em meio a tantos crimes de violência acontecendo contra as mulheres no Brasil, a pergunta que fica é: quando essas mulheres poderão começar a viver?


Supervisão: Paulo Henrique Caetano

Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik

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