ARTIGO: DEPENDÊNCIA QUÍMICA – DOENÇA OU FALTA DE FORÇA DE VONTADE?

Clara Lages

A dependência química é um tema controverso a muito tempo. Muitos ainda têm um certo preconceito com aqueles que sofrem dessa condição e vêm como um mau comportamento ou uma falta de força de vontade de parar. Entretanto, essa visão ultrapassada e simplista de ver a situação, acabam ignorando a complexidade do vício e os avanços científicos que comprovam que de fato, é uma doença.

O uso regular e prolongado de substâncias e álcool, altera a estrutura e função cerebral, afetando partes como a memória, motivação e recompensa, essas alterações no cérebro podem ser comparadas com doenças, como a hipertensão e a diabetes, que exigem tratamentos contínuos e a longo prazo. Fazendo assim o indivíduo ter comportamentos compulsivos mesmos quando ele sabe das consequências e dos danos que isso pode levar.

A genética também tem relação direta com a dependência, pesquisas indicam que 50% do risco de se tornar dependente é hereditário, além disso fatores ambientais como estresse crônico, traumas na infância ou contato precoce com substâncias também pode desencadear, ou seja, não é uma questão de força de vontade e sim fatores genéticos e ambientais que levam a isso.

Se tratarmos a dependência como uma doença, logo precisamos de tratamentos médicos certos, como terapias comportamentais, medicamentos e apoio psicossocial, e não punitivistas. é fundamental focar na qualidade de vida e ressocialização do cidadão.

Reconhecer essas condições como uma doença e não um mau comportamento, é um passo essencial para que o tratamento seja mais certo e eficaz, isso não alinha a apenas fatos científicos, mas também promove um cuidado mais humano, e garante que as pessoas recebam o cuidado e o respeito que merecem.


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