Carolina Maia
Acordo com o barulho de chuva lá fora, são 00h50, estou aflita e ofegante, sonhei com você, não sei se o meu despertar foi pelo parecer tão real que de fato eu só poderia estar sonhando ou se foi pela chuva forte.
O silêncio está se espalhando pelo meu quarto, é denso e quase palpável, assim como os seus tratamentos de silêncio, eu já te disse que eu os odeio?
Havia uma época em que nossas vozes e risadas se encontravam com facilidade, em diálogos que pareciam não ter fim. Falávamos sobre tudo e nada, mas aos poucos algo foi se quebrando, palavras não ditas, sentimentos reprimidos, desencontros, fomos engolidos por um abismo que nos mantém cada vez mais distante.
A chuva está ruidosa.
Ah, é saudade, mas saudades do que exatamente? Do que fomos ou do que poderíamos ter sido? A chuva permanece incessante, ela combina com as sensações que estou sentindo, forte e nem um pouco acolhedora.
No final lembrar de você é isso, memórias distantes, dolorosas, mas dolorosas porque estávamos felizes e nos entendíamos, dolorosas porque nos afastamos repentinamente e hoje em dia nem nos falamos mais, não nos conhecemos.
A chuva está aumentando cada vez mais.
Quando estamos juntos novamente somos lembranças, somos sentimentos nostálgicos, memórias da nossa velha infância. É isso que somos e nos tornamos.
E a chuva lá fora? Ela cessou!
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Achei de uma desenvoltura sem explicações, a forma como tudo foi trabalhando para que, no final, se encaixasse. Fora a perfeição das diversas interpretações que ele nos deixa ter… Enfim, ótimo.