“QUEM PAUTA A POLÍTICA NO INTERIOR?” PERGUNTA MARCA O LANÇAMENTO DO OBSERVATÓRIO DE COMUNICAÇÃO POLÍTICA DO CAMPO DAS VERTENTES

Geovane Carvalho e Maria Luisa Maia
Equipe – Observatório

Na noite da última sexta-feira (24), o Campus Tancredo Neves (CTAN) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) foi palco do lançamento oficial do projeto Observatório de Comunicação Política do Campo das Vertentes. Para a estreia, a equipe do projeto preparou a mesa-redonda “Quem pauta a política no interior? Mídias, redes e disputas de narrativa”. O evento reuniu estudantes, professores, profissionais da comunicação e membros da comunidade para discutir o papel da imprensa e das mídias sociais na construção do debate político na região.

Abertura destaca papel da universidade

A mesa de abertura contou com a presença do coordenador-geral do projeto e docente titular do Departamento de Comunicação da UFSJ, professor Luiz Ademir de Oliveira, além do jornalista e estrategista em comunicação Arthur Raposo Gomes e da pró-reitora de Extensão e Cultura da UFSJ, professora Ana Cristina Faria.

Coordenador-geral do Observatório, professor Luiz Ademir de Oliveira (à esquerda), pró-reitora de Extensão e Cultura da UFSJ, professora Ana Cristina Faria (centro), e o jornalista e publicitário, Arthur Raposo Gomes (à direita) compuseram a mesa de abertura
(Foto: Giulliana Andrade e Thomás Guedes)

Durante sua fala, Ana Cristina destacou a importância da universidade pública como espaço de formação crítica e de diálogo com a sociedade.

A universidade é, sim, um espaço político, no sentido da formação de consciência e de sujeitos críticos. Ela só faz sentido quando se abre ao diálogo com a sociedade”, afirmou.

A pró-reitora ainda destacou a importância de projetos de extensão como o Observatório. “A universidade tem que estar no território, nas lutas e nas vivências das pessoas”, pontuou. E, por fim, Ana Cristina refletiu sobre o papel do projeto para a democracia do interior.

“Reconhecer que a democracia não se faz apenas nos grandes centros, mas na capilaridade das relações, na pluralidade das vozes, na diversidade dos territórios e das pessoas, é também desconstruir relações de dominação”, frisou.

Mesa-redonda debate quem pauta a política no interior

Na sequência, foi realizada a mesa-redonda “Quem pauta a política no interior? Mídias, redes e disputas de narrativa”, mediada pelo jornalista e diretor do portal Notícias del-Rei, Arthur Raposo Gomes. A mesa contou com a participação da vereadora de São João del-Rei, Sinara Campos (PV), a vereadora de Tiradentes, Suelen Cruz (PT), além do presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSJ, Lucas Antunes.

A mesa-redonda do evento teve como objetivo trazer diferentes pontos de vista para analisar a relação da mídia da região com as pautas políticas (Foto: Giulliana Andrade e Thomás Guedes)

Durante a mediação, o jornalista destacou mudanças e permanências no cenário da mídia política na região. Em sua análise do cenário na região, Arthur apontou o dinheiro como motor para as articulações políticas e midiáticas do Campo das Vertentes. Para ele, a imprensa local ainda organiza o debate, definindo o que ganha visibilidade e o que fica de fora. Mas, atualmente, as mídias sociais estão cada vez mais disputando essa “função social”, além do fato de que, no interior, o contato direto com a população ainda é mais facilitado.

Durante o debate, os convidados apresentaram diferentes visões sobre a Comunicação Política no interior. Para Sinara Campos, a comunicação é central na construção da política. “Não existe política sem comunicação!”, cravou a parlamentar, que é também ex-prefeita de Santa Cruz de Minas e foi secretária de Educação em Tiradentes e de Saúde em Barbacena.

Já Suelen Cruz trouxe uma perspectiva ligada à educação e à experiência pessoal. “A minha atuação política foi também em sala de aula”, afirmou a vereadora que chegou a estudar também na UFSJ e trabalhar como professora.

Para ela, a comunicação sempre foi uma ferramenta importante para promover reflexão entre os alunos. A vereadora também destacou os desafios enfrentados pelas mulheres na política da região. “Falaram várias vezes para mim que era para eu voltar para a sala de aula ou ficar em casa”, relatou, ao comentar o contexto local que classificou como conservador e machista.

Representando o movimento estudantil, Lucas Antunes ressaltou o potencial transformador da iniciativa. “Projetos de extensão como esse têm uma contribuição importante para a região”, afirmou. Para Lucas, que é graduando em História na instituição, a iniciativa ajuda na construção de uma cultura crítica e de uma sociedade mais justa e igualitária.

Lucas ainda destacou a importância de movimentos estudantis e populares para a política da região: “se organizar no centro acadêmico, se organizar politicamente nas organizações sociais, populares, cria uma relevância importante para a gente poder pautar a política também”, garantiu.

Projeto busca aproximar universidade e comunidade

A estudante de Comunicação Social – Jornalismo e integrante do projeto, Letícia Campos, ressaltou a importância da prática na formação acadêmica. “A gente aprende a teoria na faculdade e consegue aplicar na prática. Isso faz muito sentido para a nossa formação”, defendeu.

A estudante de Comunicação Social – Jornalismo e integrante do Observatório, Ana Luiza Fagundes, destacou a importância da atuação da universidade nos espaços da cidade.

É muito satisfatório participar de um projeto que quer levar o debate político para além da universidade, alcançando diferentes bairros e realidades”, afirmou Analu, como também é conhecida. Segundo ela, a proposta é valorizar a experiência da população e incentivar a participação social.

Militante e atuante em projetos sociais desde que chegou em São João del-Rei em 2023, Analu ressaltou a importância da comunicação para movimentos populares da região e espera contribuir, através do Observatório, para a visão política daqueles que ainda não se mobilizaram.

“Eu espero que eles vejam que o quê eles falam, o que eles acham tem mais importância, às vezes, do que uma pessoa que elas consideram mais sabida, mais estudada. Porque eles vivem diariamente a política, por mais que eles não achem (que essa vivência é política)”, explicou a graduanda.

Proposta do Observatório

O Observatório de Comunicação Política do Campo das Vertentes pretende desenvolver atividades como debates, produção de conteúdo e ações junto à comunidade. A proposta é fortalecer o diálogo entre universidade e sociedade, contribuindo para um debate público mais crítico, plural e democrático na região.

Na prática, o projeto tem como próximos passos oferecer minicursos e oficinas abertas para estudantes, profissionais que atuem na área da Comunicação Política e demais interessados.

Em outro eixo de atuação, o Observatório tem como objetivo produzir conteúdos instrucionais e jornalísticos que ajudem a aproximar a UFSJ da população e política da região, bem como a realização de encontros temáticos.


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: Giulliana Andrade e Thomás Guedes / Equipe – Observatório


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