Arthur Raposo Gomes
A democracia brasileira passa por um período de reafirmação – e a comunicação tem um papel central nesse processo. Depois de anos em que a palavra foi usada para dividir, manipular e desinformar, comunicar voltou a ser um gesto político. Não no sentido da propaganda, mas da escuta e da tradução do que é público.
Política é, antes de tudo, linguagem. É por meio dela que projetos ganham forma, que decisões são compreendidas e que o Estado se torna visível. Quando o discurso se desconecta da vida real das pessoas, abre-se espaço para o ruído e para as barreiras – que, por sua vez, corroem e dificultam a confiança.
Reafirmar a democracia também passa por reconstruir o modo de comunicar. Não basta divulgar números ou anunciar programas. É preciso devolver sentido às palavras e mostrar que políticas públicas são mais do que planilhas: são parte da vida cotidiana. Comunicação democrática é aquela que devolve pertencimento e que faz o cidadão se reconhecer nas decisões que o afetam.
Nos mandatos, esse desafio é ainda mais concreto. Há diferença entre “mostrar serviço” e construir diálogo. A primeira lógica busca visibilidade; a segunda, legitimidade. Uma gestão democrática se mede não só pela obra entregue, mas pela clareza com que comunica o porquê, o para quem e o como de cada ação.
Para quem trabalha com Comunicação Política, essa é uma virada de chave. Deixa de ser sobre performance e passa a ser sobre confiança. O papel de assessor, de jornalista, de estrategista envolve a criação de pontes entre o poder e as pessoas, não vitrines. É um trabalho de paciência, escuta e coerência: três palavras que, algumas vezes, podem parecer andar fora de moda, mas continuam essenciais.
A comunicação, quando feita com responsabilidade, não é só parte da democracia: é sua linha de sustentação. E talvez a grande tarefa dos próximos anos seja justamente essa: reconstruir o vínculo entre palavra e realidade, entre o que se diz e o que se faz.
Aguardemos o passar dos dias…
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Texto inicialmente e também publicado no jornal “Brasil de Fato MG”.
