Anita Delgado Novy, Clara Lages,
Helbert Ignacio e Manoela Cássia
A trajetória de Everton da Conceição Mendes, mais conhecido como Dondom, é marcada por uma ascensão construída a partir das bases comunitárias. Nascido em 9 de novembro de 1979, no bairro Tejuco, é filho do pedreiro e mestre de obras Noé Mendes Rocha e da administradora do lar Trindade Maria da Conceição Mendes.
Antes de ocupar cargos eletivos, Dondom atuou por sete anos como assessor parlamentar, experiência que, segundo ele, foi essencial para compreender o funcionamento do Poder Público.
O envolvimento com o esporte, especialmente o futebol, foi o ponto de partida para sua inserção na vida política. “Acho que a minha carreira política vem muito do meu jeito mesmo”, afirma, lembrando o início do trabalho na Associação Atlética São Caetano, no bairro Tejuco, onde criou, em 2003, um projeto de futebol voltado às categorias de base.
Em 2016, conquistou a suplência no Legislativo municipal, então filiado ao PDT, e, em março de 2020, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de São João del-Rei, após a renúncia do ex-vereador Jorginho Hannas. No mesmo ano, foi eleito vereador, na ocasião, pelo PRTB.
A eleição 2022 e a presidência da Casa Legislativa em 2025
Na eleição de 2022, assim como o ex-vereador Igor Sandim, Dondom obteve um resultado expressivo na disputa por uma cadeira de deputado estadual, ainda que não tenha sido eleito. Com 3.569 votos na cidade, ficou em terceiro lugar entre os candidatos mais votados em São João del-Rei. Durante o período pré-eleitoral, naquele ano, migrou do PRTB para o PSDB.
A decisão de concorrer à Assembleia Legislativa, segundo ele, foi inesperada. “Até para mim foi uma surpresa muito grande. A minha saída como candidato em 2022, em São João, foi uma coisa meio maluca mesmo”, brinca.
Dondom conta que a candidatura surgiu a partir de uma articulação com o deputado federal Aécio Neves (PSDB). Ele relata ter conhecido o parlamentar durante um encontro presencial em março de 2022, quando recebeu o convite para integrar o grupo político do tucano.
“Eu falo, hoje, que tenho uma gratidão muito grande pelo Aécio, devido à honestidade que ele teve comigo. Porquê, quando ele me faz o convite, já me expôs toda a situação. Se eu saísse candidato com ele, ele não poderia me ajudar em outras cidades. Então, para você sair candidato sem apoio político, na região, é muito complicado”, introduz Dondom.
Em seguida, ele avalia: “ser vereador é uma coisa; ser candidato a deputado (é outra), você precisa de vários votos. Então fica muito mais complicado. E ali eu vi que, realmente, eu poderia ajudar, naquele primeiro momento, como candidato a deputado, fazendo uma dobradinha, com ele, dentro de São João. E foi o que aconteceu. Nessa ocasião, tanto eu quanto o vereador Edmar, a gente fez uma campanha, para ele (Aécio), bem acirrada, aqui dentro da cidade. Daí ele vem a dobrar (o número de votos) em São João: ele teve, na última (eleição para deputado federal), 2200 e poucos votos e, agora, ele teve 5 mil e pouco. Então, para mim, foi muito válido mesmo.”

A dobradinha de candidaturas – estadual e federal -, estratégia comum em disputas proporcionais, teve São João del-Rei e região como foco e, segundo Dondom, impulsionou os votos dos dois tucanos no município. Ele avalia o resultado como uma experiência positiva.
Em 2022, Dondom já ocupava o cargo de vereador, e, em 2024, foi reeleito para um novo mandato. O ponto alto de sua trajetória política, contudo, veio com a eleição para a presidência da Câmara Municipal, cargo que ele afirma não ter buscado inicialmente.
“No primeiro momento a gente fica meio assustado. Eu nunca tive a pretensão de concorrer ao cargo de presidente da Câmara. E, após a eleição de 2024, surgiu a possibilidade”, explica.
Conforme publicado pelo Notícias del-Rei no dia 1 de janeiro de 2025, com 12 votos favoráveis e uma abstenção, Dondom foi eleito presidente do Legislativo são-joanense. Hoje, afirma priorizar a harmonia entre os parlamentares.

“Acho que a presidência tem que estar em sintonia com todos os vereadores. Para mim, hoje, não vejo oposição e nem situação. Vejo todos como vereadores eleitos, e o que eu puder fazer por todos eles será tentando fazer o melhor. Fazendo o que tem que ser feito, que é a democracia mesmo, dentro de uma Casa Legislativa”, garante.
Em análise
Apoiador do prefeito Aurélio Suenes (PL) na campanha de 2024, Dondom não se esquiva de avaliar o início do novo mandato e contextualiza como se deu sua adesão à chapa.
“Em março de 2024 eu recebi o convite do Aurélio, para que eu pudesse apoiá-lo e, no momento, como eu sou do PSDB, eu tinha que ter um aval do PSDB, do nosso líder maior, que é o Aécio Neves. Eu tive uma conversa com ele e, a partir disso, a gente ficou bem alinhado para apoiar a chapa”, conta.

O vereador avalia que a atual gestão tem apresentado um perfil diferente da anterior, com prioridade em áreas específicas, como a cultura.
“Eu vejo assim: o Aurélio é jovem, tem o pensamento mais voltado para a cultura. E isso é nítido. Pelo que estamos vendo, o investimento na cultura está trazendo um benefício muito grande para a nossa cidade”, menciona.
Dondom também aponta avanços no transporte público, elogiando a implementação da tarifa zero, mas ressaltando a necessidade de ajustes administrativos. “Vejo também que as pessoas cobravam muito do poder público uma melhora no transporte público e vejo que a tarifa zero ajudou muito. Mas a gente entende, também, que tem que melhorar. É necessário que se façam licitações”, pontua.
Para Dondom, a saúde e a educação devem ser tratadas como pilares de uma administração pública comprometida com a cidadania. Ele alerta que a falta de investimentos nessas áreas enfraquece o eleitorado e alimenta práticas políticas que fogem da boa política.
“Espero que o Aurélio seja muito diferente. Porque uma cidade com saúde e educação de qualidade, às vezes, ‘para o político (que não tem boas condutas), não é muito legal’. Porque a gente vê que, quanto mais vulnerável a pessoa é, quando não tem acesso à educação e à saúde, fica mais fácil de comprar votos. Dá 100 reais, uma cesta básica…”, ilustra.
Ainda sem citar nomes de possíveis envolvidos ou mesmo campanha que isso supostamente aconteceria, ele comenta a prática da compra de votos, que é considerada crime eleitoral, reconhecendo o contexto de necessidade enfrentado por parte da população.
“Tem pessoa que recebe R$ 100 para votar e, muitas das vezes, é porque ela tá precisando mesmo, para comprar uma cesta básica, um remédio para o filho… e naquele momento, os R$ 100 vai valer muito. Mas, se dividir os 100 reais em 48 meses, dá menos de 50 centavos por dia. Não é justo”, aponta.
Ele conclui sua análise sobre a gestão municipal destacando o cumprimento das promessas de campanha.
“Eu sou muito suspeito para falar, mas acho que, nesse curto período de tempo, já deu para ele mostrar a que veio. Ele tem uma inteligência muito grande, acompanho bem de perto, andei com ele durante a campanha toda. Um período de quase um ano e entendo que ele está cumprindo as promessas que fez durante a campanha. É isso que a população quer. De 1 a 5, dou uma nota entre 4 e 5″, responde.
Ao avaliar a administração estadual, Dondom atribui a ela a nota mais baixa: “1”. Ele defende que a privatização de empresas como a CEMIG deve ser submetida a uma ampla discussão popular.
“Eu acho que, para privatizar, tem que ter uma conversa muito longa, uma conversa que tem que ser debatida com toda a população. A gente tem que entender que a CEMIG é um patrimônio de Minas Gerais, que não pode ser vendido de uma hora para a outra; não pode, simplesmente, desaparecer por uma simples decisão. Isso eu acho que seria totalmente fora de contexto. Para acontecer, acho que tem que ter uma aclamação popular”.
Já a gestão federal foi avaliada com a nota “2”. A principal crítica de Dondom é direcionada à economia e à polarização política.
“Eu, particularmente, acho que tem que melhorar… e muito. A gente vê, hoje, vários empresários quebrados por causa das taxas de juros muito altas. Politicamente falando, o que eu vejo nos jornais, o problema que se criou no país é esse: um racha de partidos, de briga mesmo e a população fica meio encostada”, avalia.

Supervisão: Luiz Ademir de Oliveira
Edição: Arthur Raposo Gomes
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