Alessandra Silva, Artur Coan,
Lucas Anjos, Maria Luiza Pereira e Rafaela Nery
Entre os dias 26 de julho e três de agosto, aconteceu na região do Campo das Vertentes o Inverno Cultural, evento realizado pela Universidade Federal em parceria com a prefeitura da cidade de São João del-Rei. A festividade contou com atrações musicais, oficinas e vivências abertas para a comunidade local de forma gratuita, com o intuito de promover a cultura de forma acessível.
Neste ano de 2025, a edição abordou o tema “REGENERA!”, um movimento que visou convidar a sociedade a regenerar o ecossistema danificado, promovendo justiça social e a construção de uma sociedade sustentável. A escolha do tema se deu devido à crise mundial que estamos vivendo, com mudanças climáticas que ameaçam a qualidade de vida da população e gerações futuras.
Retrospectiva
Criado em 1988, o Inverno Cultural é um evento da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) que ocorre durante o período de férias da instituição. Com 35 edições, o intuito do evento é promover diferentes áreas da cultura de forma acessível para os moradores do Campos das Vertentes.
Virginia Toledo é graduada em Letras pela UFSJ e já participou do evento, como telespectadora e monitora. À reportagem, ela ressalta a importância do festival para região, sendo uma das coisas que mais atraiu a mesma. O festival, na visão de Virgínia, amplia e promove a importância cultural da cidade. “O que mais me atraiu em São João del-Rei foi essa diversidade cultural que a cidade oferece”, pontua.
Com oficinas e palestras abertas ao público, o evento é dividido em seis áreas, sendo elas a “Arte-educação” dedicada para crianças entre 4 a 12 anos, Literatura, Artes Cênicas, Artes Visuais, Música e o Especial “REGENERA!”, dedicado ao tema deste ano. Ao todo, ecerca de 64 projetos estiveram presentes, entre eles atrações musicais e peças teatrais.
Quando citamos as oficinas, Virginia relembra de um momento marcante que viveu na Serra do Lenheiro: à escalada, ela e um um grupo de participantes realizaram aulas teóricas e práticas por 2 semanas. Ela também conta quando foi monitora ao lado do grupo musical “Barbatuques”, quando eles ensinaram técnicas de percussão corporal que Toledo lembra até hoje e complementa: “foi muito divertido e inesquecível!”.
Ao longo das 35 edições, o Inverno Cultural recebeu diversas atrações musicais marcantes, como Rita Lee, Seu Jorge, Kid Abelha, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento, Titãs, Elza Soares e muitos outros grandes nomes, o projeto incentiva a visibilidade de artistas locais e promove o turismo na região.
Destaque musical
Marcelo Tofani foi uma das atrações principais da 35º edição do Inverno Cultural. Com um repertório pop, Marcelo flui para diversos gêneros musicais através de feat com cantores como Djonga, Marina Sena e em breve com o FBC. Em entrevista concedida à reportagem, Marcelo contou o carinho que tem pela cidade, onde em 2019, fez um show ao lado da sua banda Rosa Neon em uma república da cidade. “É uma honra voltar para a cidade’’, afirma o artista.
Marcelo Tofani também conta um pouco de como é seu processo de criação, que ocorre em momentos simples do dia a dia. Com o hábito de gravar ideias no celular,que surgem através de frases simples e imagens e são desenvolvidas no estúdio, ao lado de seus amigos.
O cantor também revela os bastidores, quando o “marketing de maluco” realizado para as divulgações de suas obras é uma comunicação irreverente que está sendo bem recebida pelo público. Além disso, Marcelo destaca a importância do Inverno Cultural para a visibilidade de artistas locais e regionais, criando uma ponte entre o que é produzido no interior de Minas com o público geral. “Isso fortalece a cena e inspira novas gerações de artistas”, destaca.
Depois de anos tentando uma vaga no festival, o cordelista e arte-educador Juvenal Bernardes finalmente realiza o sonho de integrar a programação do Inverno Cultural da UFSJ. Em 2025, ele chegou ao evento com duas propostas complementares: a oficina “Na Cadência do Cordel” e a performance “Na Banca do Folheteiro”. A preparação envolveu desde a revisão de apostilas e atividades até ensaios diários e organização de cenografia, figurino e instrumentos. Para ele, a ansiedade que antecedeu as apresentações é um bom sinal – o que chama de “insegurança necessária” – e uma parte essencial do processo artístico.
As atividades ganham um significado ainda maior por terem acontecido em Divinópolis, sua cidade natal. Após décadas de atuação artística e educacional na região, o evento será uma chance de reencontro com o público local e também uma oportunidade de fortalecer a visibilidade do cordel na cidade. “Embora eu trabalhe sistematicamente nas escolas e em praças, sinto que o reconhecimento na minha própria cidade ainda é pequeno”, comenta. Ao participar do Inverno Cultural, ele espera promover trocas, valorizar a cultura popular e ampliar o alcance da literatura de cordel.
Isabela Coura também foi uma das artistas confirmadas na programação do Inverno Cultural da UFSJ e esteve no comando da oficina “Cinema de Mulher”. Em fase intensa de preparação, ela revelou que “mergulhou” em filmes, textos, reuniões e na organização dos materiais que serão utilizados durante as atividades. Para Isabela, participar do festival é uma oportunidade valiosa de compartilhar com a comunidade os saberes produzidos dentro e fora da universidade, promovendo um espaço de reflexão coletiva sobre as artes visuais, com ênfase no cinema.
A expectativa da artista é provocar novos olhares e ampliar os repertórios sobre o cinema realizado por mulheres. Isabela destaca ainda o papel fundamental do Inverno Cultural na valorização e visibilidade de artistas locais, além de contribuir para o fortalecimento da cultura regional.
Nos bastidores
Além dos artistas, o Inverno Cultural é também construído por estudantes, técnicos e voluntários que atuam além dos palcos, garantindo o bom funcionamento de cada apresentação. Um dos monitores da área de Música, estudante do curso de licenciatura em Música da UFSJ, Rafael Dimitri compartilha a experiência de acompanhar os processos de montagem dos shows e oficinas.
“Minha função na organização e participação do Inverno Cultural é na temática Música, auxiliando os artistas nos shows e oficinas”, explica. Ele destaca a importância do momento pré-evento, quando os detalhes começam a ganhar forma. “Os bastidores são incríveis. É muito bom ver o evento sendo montado passo a passo. Muito importante esse pré-evento e ver as coisas tomando forma”, defende.
Para ele, participar da organização do festival tem sido uma experiência enriquecedora. “No meu caso, contribui para a formação acadêmica e pessoal, pois faço o curso de música e estamos sempre no meio de projetos e produções desse nível. É um aprendizado ímpar na nossa vivência”, frisa.
A rotina exige atenção e agilidade, especialmente durante as apresentações. “É muito importante o monitor estar atento a qualquer imprevisto que venha a ocorrer em uma apresentação. Estar preparado para resolver problemas no palco ou nos bastidores faz parte do nosso papel”. A vivência também revela o cuidado da organização com a logística e o funcionamento integrado dos setores: “com uma boa coordenação e logística, sempre dá certo”.
Impacto no comércio local
A movimentação provocada pelo Inverno Cultural também é sentida fora dos palcos e oficinas. Diego Fernandes, comerciante que atua no centro da cidade, conta que esta foi a primeira vez que trabalhou no comércio durante o evento. “Acredito que, por ser junto com o período de férias, há uma movimentação maior”, comenta.
Fábio, também comerciante em São João del-Rei, relembra um tempo em que o evento mobilizava ainda mais a cidade. “Há muitos anos atrás tinha bastante movimentação, era algo muito esperado, a gente ficava ansioso”, narra.
Apesar de afirmar estar um pouco “desatualizado” em relação às edições recentes, ele considera o festival fundamental para o município. “Eu acho que é super importante, porque atrai turistas”.
Chico Brinati é professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo e desde 2020 é pró-reitor de Extensão e Cultura (PROEX) na instituição. À reportagem, ele relembra sua primeira participação no ano de 2014 coordenando a equipe de comunicação do evento com a TV UFSJ e toda a sua trajetória envolvido com o Inverno Cultural UFSJ.
Supervisão: Paulo Henrique Caetano
Edição: Arthur Raposo Gomes
