Arthur Raposo Gomes
Às vezes, o silêncio chega sem aviso. Não é aquele silêncio confortável, cheio de cumplicidade, mas um vazio que pesa: o silêncio de quem já foi presença constante e agora é ausência. Quando a gente para de conversar, parece que o mundo encolhe um pouco, e as palavras ficam presas em algum lugar entre o que foi dito e o que ficou no meio do caminho.
No meio da política, onde as conversas são armas, estratégias e sonhos compartilhados, esse silêncio vira um buraco estranho. Fica a sensação de que algo ficou sem terminar, que os afetos que deram força ao trabalho ficaram no limbo, esperando uma resposta que não vem.
No entanto, o silêncio também é um lugar. Um espaço que pode ser cheio de lembranças – das conversas boas, dos planos feitos, dos aprendizados divididos. Às vezes, é nesse lugar que a gente se encontra consigo mesmo, repensa caminhos e reconhece o valor do que foi, mesmo que não tenha mais voz para ser dito em voz alta.
Parar de conversar não significa apagar a história. Significa, talvez, abrir espaço para outras narrativas, outros encontros – ou para o próprio silêncio virar um modo de escutar o que o tempo quer ensinar.
E quem sabe, um dia, essa ponte possa ser reconstruída – com palavras que aguardam a hora certa, com uma vontade silenciosa de retomar o diálogo que nunca deixou de importar.
Até lá, o silêncio se faz presente. E não é só ausência, é também possibilidade.
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