YOGA CONTRA O RITMO ACELERADO: PRÁTICA PROMOVE BEM-ESTAR E AUTOCONHECIMENTO

Maria Luiza Maia

Em um cenário em que redes sociais promovem rotinas de alta performance e reforçam padrões estéticos inalcançáveis, o yoga se apresenta como um caminho oposto. A prática milenar convida ao silêncio interno, à escuta do corpo e o autoconhecimento. Longe de metas estéticas ou da comparação constante, ela propõe aceitação e presença: dois elementos essenciais em tempos de tanta exigência emocional e física.

“O yoga é uma pausa e um olhar para dentro”, resume o instrutor Bruno Bastos, que dá aulas há mais de sete anos em Santa Cruz de Minas (MG). Ele conheceu a prática em uma época em que enfrentava constantes crises de ansiedade e, desde então, encontrou no yoga um ponto de virada.

Originado na Índia, o yoga combina posturas físicas, exercícios respiratórios e meditação. Mais do que uma atividade física, trata-se de uma filosofia de vida que busca o equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Seu objetivo central não é modelar corpos ou melhorar desempenho, mas cultivar uma consciência mais ampla de si e do mundo.

Corpo em movimento, mente em equilíbrio

Os benefícios do yoga se manifestam tanto no corpo quanto na mente. A prática contribui para melhorar a postura, aliviar dores crônicas, aumentar a flexibilidade e fortalecer a musculatura. Segundo a instrutora Mariana Trindade, que dá aulas desde 2016, é comum perceber mudanças no comportamento dos alunos com o passar do tempo: muitos chegam às aulas agitados ou com dores e, ao final, demonstram mais tranquilidade, confiança e relatam alívio de dores.

Mariana Trindade é instrutora de yoga há quase dez anos (Foto: arquivo pessoal / Mariana Andrade)

Segundo os instrutores, esse impacto ocorre porque o yoga desenvolve uma escuta atenta do próprio corpo. Ao focar nos movimentos e na respiração, o praticante passa a perceber seus limites físicos e emocionais com mais gentileza, sem se cobrar por desempenho. Trata-se de um processo de reconexão, que resgata a relação com o corpo como um espaço de cuidado, não de exigência.

A psicóloga Ana Paula Portela, que também é aluna de yoga, começou a praticar buscando justamente esse reencontro após anos em que relacionava o exercício físico apenas à estética: “0 yoga me trouxe leveza, clareza e tolerância. Eu escuto mais o meu corpo, percebo minhas ansiedades e aprendi a lidar com elas por meio da respiração”.

Psicóloga, Ana Paula percebeu melhorias após a prática de yoga (Foto: arquivo pessoal / Ana Paula)

Uma prática contra o ritmo acelerado

Em uma rotina marcada pela pressão por produtividade constante e respostas imediatas, o yoga se apresenta como uma ferramenta de desaceleração. Os movimentos lentos, a respiração consciente e a atenção plena criam um espaço de pausa, algo raro no dia a dia.

Ana Paula ressalta que a prática ajuda a lidar com a impermanência e a aceitar os próprios limites. Para ela, o yoga ensina a sair das exigências mentais e retornar ao momento presente com mais compaixão: “o yoga me trouxe leveza, clareza e tolerância. Eu escuto mais o meu corpo, percebo minhas ansiedades e aprendi a lidar com elas por meio da respiração”.

Além disso, os impactos na saúde mental são amplamente reconhecidos. O yoga contribui para regular o sono, reduzir tensões físicas e desacelerar pensamentos repetitivos. Ao trabalhar o corpo com foco e respiração, o praticante ativa áreas do cérebro ligadas à autorregulação emocional, o que ajuda a enfrentar o estresse com mais equilíbrio.

A concentração exigida até nas posturas mais simples também fortalece o foco e o autocontrole. Mariana comenta: “se eu não estiver presente e focada na respiração, uma posição de equilíbrio vira um desafio enorme. Isso reflete a vida: sem atenção, tudo se desequilibra”.

Rompendo com os padrões estéticos

Apesar de seu potencial transformador, o yoga nem sempre é comunicado de forma acolhedora. Nas redes sociais, é comum ver imagens que associam a prática a corpos magros, flexíveis e em poses acrobáticas. Esse padrão estético, muitas vezes idealizado, distorce o real propósito do yoga e pode afastar justamente quem mais precisa da prática.

Bruno Bastos observa que muitas pessoas chegam às aulas motivadas por um desejo de mudar o corpo para atender a um padrão estético.

O yoga não é sobre isso. A prática verdadeira está ligada ao amor-próprio e a autoaceitação. Esses padrões mais oprimem do que ajudam

– afirma Bruno Bastos, instrutor de yoga.

Ele ressalta que, embora se diga com frequência que “o yoga é para todos”, é fundamental reconhecer que cada pessoa tem uma história e limitações próprias. Por isso, a prática deve ser adaptada à realidade de cada corpo, respeitando o ritmo e as necessidades individuais.

Bruno Bastos é instrutor de yoga e reforça os benefícios da prática. (Foto: Maria Luiza Maia)


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: arquivo pessoal / Mariana Trindade

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