RELACIONAMENTO À DISTÂNCIA: COMO CASAIS ENFRENTAM SAUDADE, ROTINA E CONFIANÇA

Mariana Vieira

Conhecer o amor da sua vida pela internet e ter que namorá-lo à distância envolve inúmeros desafios: o primeiro deles pode ser a desconfiança de que, do outro lado da tela, não esteja um estudante apaixonado, mas um criminoso se passando por um adolescente. Foi esse o receio inicial de Paola Pereira, 19 anos, quando começou a conversar com Redellen Yuri, 20, hoje seu namorado. Dois anos depois, eles ainda vivem longe, mas firmes na relação que construíram.

Namorar à distância tem se tornado cada vez mais comum, especialmente entre os mais jovens, que se conectam por aplicativos, redes sociais ou em comunidades virtuais. Moradora de Juiz de Fora, Anna Carolina Campos tem 19 anos e vive um relacionamento à distância há quase três anos. Ela se prepara para o vestibular e equilibra os estudos com a rotina ao lado do namorado, que reside em Além Paraíba, localizada a cerca de 120km.

Quilômetros de saudade

As duas jovens percorrem distâncias bem diferentes para estarem com seus parceiros. Anna enfrenta cerca de 1h30 de viagem até a cidade vizinha. Já Paola encara, aproximadamente, 500km de estrada e 12 horas de ônibus até Vila Velha, no Espírito Santo, onde vive Yuri.

As oportunidades de encontros também variam. Anna, com rotina mais flexível, consegue visitar o namorado duas ou três vezes por mês. Paola, por sua vez, depende de feriados prolongados ou das férias para matar a saudade. Ainda assim, ambas defendem que a distância fortalece o vínculo.

“A distância também dá vontade”, resume Paola, que ainda comenta a “explosão de paixão” que ocorre quando vê Yuri.

Rotinas desencontradas e afetos on-line

A tecnologia ajuda a manter o contato diário, mas nem sempre os horários colaboram. Anna e o namorado trocam mensagens com frequência ao longo do dia. Já Paola estuda em tempo integral e Yuri tem aulas à noite, o que limita os encontros virtuais durante a semana. Nos fins de semana, porém, o casal compensa com horas de ligação.

Apesar das diferenças de rotina, os dois casais concordam em um ponto: a confiança é a base de tudo. A distância, segundo eles, não aumenta o risco de traição – algo que pode acontecer em qualquer relação.

“Ser traído não depende da distância. Pode acontecer até num relacionamento presencial”, afirma Anna. Paola, por sua vez, complementa que a confiança é uma exigência e a base para qualquer romance saudável.

Mesmo separados, construindo um futuro juntos

A ausência física, especialmente em datas comemorativas, é sentida com força. Com bom humor, os casais mencionam até mesmo o choro como válvula de escape. Com o tempo, no entanto, garantem que aprenderam a lidar melhor com os sentimentos.

No início do namoro, Paola e Yuri cogitaram largar tudo e morar juntos. Hoje, com mais maturidade, percebem que o caminho é outro: seguir construindo suas trajetórias individuais para que, no futuro, possam estar lado a lado de forma mais estável.


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik

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