Malu Valuar
Milho quente, paçoca, canjica… e, às vezes, umas doses de choconhaque. E quem sabe um bingo? Estamos em São João: tempo de quadrilha, festa junina e muito forró. Em São João del-Rei, o mês de junho chegou com geada e até granizo – mais uma desculpa pra acender a fogueira e aquecer a alma ao lado de quem se ama.
Pelas ruas de pedra, o frio dança entre bandeirolas coloridas que tremulam como memórias vivas. Ah, as bandeiras… símbolo de resistência, como Minas sempre foi. Desde os tempos dos bandeirantes até Tiradentes, ecoa o nosso lema: Libertas quae sera tamen. Da liberdade à luta. Da história à memória. Do nome da cidade ao santo que o inspira.
João, o santo, é aquele que batizou Jesus no rio Jordão. “Del-Rei”, por sua vez, carrega o selo da Coroa Portuguesa. Assim como o São João celestial veio preparar caminhos, São João del-Rei também prepara os seus: feitos de cultura, fé, memória e tradição.
As fogueiras do santo aquecem corações — as luzes da cidade iluminam ladeiras e histórias. O forró pulsa nas festas juninas — e os sinos barrocos ressoam como quem também dança no compasso da fé e do tempo.
“E o balão vai subindo,
Vai caindo a garoa,
O céu é tão lindo,
E a noite é tão boa.
São João, São João,
Acende a fogueira do meu coração.”
E é assim, entre o sagrado e o profano, entre o frio da serra e o calor das fogueiras, que São João del-Rei celebra seu próprio São João. Uma cidade que não esquece suas raízes, mas também não deixa de dançar. Porque, no fim das contas, a história também se escreve com música, afeto, cheiro de milho e promessas lançadas ao céu, junto com os balões. Aqui, a fé tem som de sanfona, gosto de infância e nome de santo.
Imagem de destaque: Arthur Raposo Gomes
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