ARTIGO: A DESINFORMAÇÃO COMO ARMA DE GUERRA: QUANDO A VERDADE É A MAIOR VÍTIMA

Rafaela Andrade Lauriano

Desde o início da Guerra Fria até os dias atuais, é notório o desenvolvimento acelerado das tecnologias no mundo. Difundidas na maioria das sociedades, elas facilitam a vida de muitos, mas também trazem impasses. Atualmente, com o grande volume de informações que recebemos a cada minuto por meio das redes sociais e outras plataformas de notícias, vemos uma disseminação cada vez mais rápida e, consequentemente, com menos análise crítica do conteúdo.

Essa dinâmica pode ser percebida desde a Segunda Guerra Mundial, quando Adolf Hitler usava propaganda política para disseminar desinformação. Pela falta de possibilidade de verificação dos fatos, muitos desconheciam as atrocidades que estavam acontecendo. Durante a Guerra do Vietnã (1959-1975), essa prática também esteve presente. De acordo com a revista jornalística ComCiência e o economista Paulo Gala, a entrada dos Estados Unidos no conflito foi motivada por um episódio manipulado, conhecido como incidente do Golfo de Tonkin. Apesar de ter sido amplamente divulgado na época, investigações posteriores revelaram que o suposto ataque nunca aconteceu. Além disso, os dados divulgados sobre o progresso do conflito também foram distorcidos para enganar a opinião pública.

No entanto, não foi somente no último século que a desinformação afetou a vida das pessoas. Exemplos modernos provam que essa prática continua cruzando fronteiras. No artigo “Como a indústria de encenação funciona no espetáculo de guerra, parte da máquina de guerra do imperialismo desde o fim da Guerra Fria até os dias atuais”, Domenico Losurdo observa que a disseminação de notícias falsas ou o foco em casos específicos tem sido comum para dividir opiniões e manipular percepções. Talvez seja muito fácil ver isso com as guerras de hoje envolvendo Rússia, Ucrânia, Israel e Hamas.

Além disso, uma pesquisa feita pelo Senado Federal descobriu que no Brasil 81% das pessoas acham que notícias falsas podem mudar os resultados das eleições. Essas informações reforçam o pensamento de que informações erradas não apenas se movem entre países, mas também atingem diretamente a democracia e a fé nas instituições. Cada grupo quer tornar sua história mais forte, muitas vezes sem pensar nos efeitos ruins que informações falsas podem ter sobre as pessoas. A divisão, impulsionada por conteúdo enganoso, define ideias firmes e interrompe a conversa.

Portanto, fica claro que a informação pode ser usada tanto como uma ferramenta de desenvolvimento e progresso quanto como uma arma de guerra. Governos e plataformas digitais precisam responder a esse cenário implementando políticas que determinem e impeça a disseminação de conteúdo enganoso.

A disseminação desenfreada de informações, muitas vezes sem verificação adequada, criou um ambiente propício à desinformação. Essa importância exige uma maior responsabilidade por parte dos que são produzidos e contêm conteúdo, além de uma conscientização urgente na sociedade.

Sem um pensamento crítico fortalecido será cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que é manipulado. Isso dificulta a compreensão dos desafios reais que enfrentamos.


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Edição: Arthur Raposo Gomes

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