ARTIGO: ANALÓGICO X DIGITAL – GERAÇÃO Z NO MERCADO DE TRABALHO

Andhrey Taier da Silva Santos

É inevitável que toda vez que uma nova geração se insere no mercado de trabalho, ocorre uma divergência de valores e ideias com a geração passada. Essa divergência, no entanto, se mostra mais rígida quando envolve a “GenZ” (nascidos entre 1995 e 2010) e os Millennials (nascidos entre 1981 e 1994). Muitas vezes descrita como inconsequente e difícil de lidar, a cada dia o mercado de trabalho se enche desses novos profissionais, que carregam suas próprias visões e valores sobre como o trabalho deve ser. São exatamente esses ideais a origem desse conflito geracional.

O mercado atual possui uma cultura de trabalho com sobrecarga, pressão, hierarquia, entre outros elementos, o que justifica o Brasil ser o segundo país com mais casos da síndrome de burnout, ficando atrás somente do Japão. A nova geração tende a buscar um ambiente de trabalho que vá contra esses valores, onde seja possível o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Pautas como menos formalidade, mais flexibilidade, maior reconhecimento e preocupação com o bem-estar dos funcionários são algumas das mais recorrentes.

Embora, na maioria das vezes em que o tópico é levantado em reuniões corporativas, ele não seja bem recebido, estudiosos do mercado de trabalho e gerentes de RH defendem essas medidas. Em uma matéria de outubro de 2024, a revista Forbes acompanhou uma reunião e pesquisa corporativas e observou que, ao implantar essas mudanças, a produtividade era impactada positivamente. Além disso, os funcionários mais velhos também passaram a usufruir dos benefícios oferecidos.

Mesmo que as empresas ainda insistam no modelo tradicional de trabalho, muitas vezes elas não se mobilizam para guiar a integração desses novos profissionais. Quando se trata do início de carreira, a GenZ foi uma das mais prejudicadas por causa da pandemia. Estágios e períodos de experiência tiveram que ser remotos, o que impacta diretamente a adaptação ao trabalho presencial todos os dias da semana, com uma carga horária rígida.

Sendo a primeira geração a crescer com a tecnologia e a se adaptar melhor ao mundo digital, a GenZ pode ser a chave para modernizar o mercado de trabalho e oferecer novas visões, uma vez que possui naturalidade com a globalização. Rotular toda uma geração de profissionais com base em experiências terceiras e correntes nas redes sociais deixa o futuro do mercado de trabalho nublado.


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Edição: Arthur Raposo Gomes

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