ARTIGO: COMO LIVROS LÉSBICOS CONTRIBUEM PARA A IDENTIDADE E REPRESENTAÇÃO DE MENINAS E MULHERES

Ana Julia Barbosa

Em um cenário literário amplamente dominado por narrativas heteronormativas, a ascensão de livros e fanfics com representação sáfica tem ganhado cada vez mais espaço. A relevância dessas obras é inquestionável para o entendimento da própria sexualidade. Mais do que representatividade, essas histórias promovem inclusão, empatia, informação e compreensão, elementos cruciais para o desenvolvimento pessoal e social

Para meninas e mulheres lésbicas, a ausência de representatividade na mídia é um fardo significativo. Não conseguir enxergar-se em personagens ou histórias semelhantes às suas experiências gera sentimentos de isolamento e incompreensão. No livro “O Amor Não é Óbvio”, de Elayne Baeta, acompanhamos Íris, uma protagonista que, ao longo da narrativa, reconhece-se como lésbica. Muitas leitoras se identificaram com essa jornada, fortalecendo uma comunidade que enaltece a obra. Segundo o portal Correio, no lançamento mais recente, Baetas quebrou recordes, alcançando 16 mil exemplares vendidos em apenas 48 horas, consolidando sua relevância no cenário literário brasileiro. 

Contudo, a importância de tais livros não se limita às jovens. A obra “Astrid Parker Nunca Falha”, de Ashley Herring Blake, explora a descoberta da bissexualidade de sua protagonista já na vida adulta. Logo no início, a autora dedica o livro “a todos que levaram tempo para se descobrir”. A narrativa aborda com sensibilidade as inseguranças e descobertas que acompanham o entendimento de si mesma, demonstrando que a jornada da autoaceitação é válida em qualquer fase da vida.

Essas obras não apenas entretêm, mas também servem como fontes de inspiração e autoconhecimento. Livros lésbicos ajudam jovens a enxergar possibilidades, desmistificam dúvidas e oferecem novos olhares sobre aceitação e descoberta. Além disso, com a crescente popularidade desses títulos, adaptações cinematográficas já são uma realidade. Um exemplo emblemático é a produção da Netflix para o livro “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid. A história, que narra a vida de uma atriz que teve sete maridos, mas cujo verdadeiro amor foi uma mulher, destacou-se como um dos livros mais vendidos de 2022.

No entanto, apesar do avanço, ainda há resistência e preconceito. Livros com temática lésbica frequentemente enfrentam censura, especialmente em contextos escolares, sob a justificativa de serem “inadequados”. É essencial que educadores, bibliotecários e autores se mobilizem para garantir que essas obras alcancem jovens que necessitam de representatividade e apoio.

Livros lésbicos não são apenas histórias de amor entre mulheres; são, acima de tudo, histórias sobre o amor — um tema universal que permeia a literatura há séculos. Não há motivo para que sejam tratados de forma pejorativa. Para uma menina lésbica, essas obras carregam um peso especial, sendo instrumentos fundamentais para suas descobertas e vivências. 

Promover a leitura e a produção de livros lésbicos não é apenas uma questão de representatividade, mas também um ato de resistência e esperança. É uma oportunidade para que jovens lésbicas se vejam como protagonistas, não apenas na literatura, mas também em suas próprias vidas.


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Edição: Arthur Raposo Gomes

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