ARTIGO: TRABALHO E QUALIDADE DE VIDA – CONTROVÉRSIAS DA ESCALA 6X1

Lívia Moreira

A escala de trabalho 6×1, em vigor há décadas no Brasil, estabelece que o trabalhador tenha direito a um dia de descanso a cada seis dias consecutivos de trabalho. No entanto, recentes discussões sobre qualidade de vida e produtividade levantam questionamentos sobre a necessidade de reformulação deste modelo. A possibilidade de substituição por jornadas mais flexíveis e adaptadas, pensando no bem estar do trabalhador, tem ganhado força, com argumentos sustentados por estudos e experiências internacionais.

Pesquisas indicam que jornadas mais curtas e distribuídas de forma distinta podem aumentar a produtividade sem comprometer a saúde do trabalhador. De acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a redução da carga horária semanal pode resultar em melhor desempenho e menor taxa de ausência no ambiente de trabalho. Experiências em países como Suécia e Islândia demonstraram que a adoção de modelos de trabalho mais flexíveis resultou em maior satisfação dos empregados e eficiência para as empresas.

Outro aspecto relevante é o impacto na saúde mental e física dos trabalhadores. A rotina exaustiva do 6×1 tem sido associada a síndromes como a de burnout e a transtornos de ansiedade. Tânia Maria de Araújo, pesquisadora da UEFS, revela que os transtornos mentais relacionados ao trabalho (TMRT) são a terceira maior causa de afastamento e os dados apontam tendências de crescimento cada vez maiores.

Do ponto de vista econômico, empresas que adotam jornadas diferenciadas relatam redução de custos com afastamentos e aumento do engajamento dos colaboradores. Em contrapartida, críticos argumentam que flexibilizar a jornada pode gerar desafios na gestão de pessoas, principalmente em setores que demandam operação contínua, como indústria e serviços essenciais.

Em 2024, a deputada Erika Hilton (PSOL) apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 no Brasil, que traria uma mudança significativa na legislação trabalhista, buscando garantir mais dias de descanso e flexibilidade para os trabalhadores. Apesar do debate crescente sobre o tema, a PEC ainda não avançou no Congresso Nacional. A proposta encontra resistência de setores empresariais e enfrenta desafios burocráticos que dificultam sua tramitação. A expectativa é que novas discussões e mobilizações possam impulsionar o tema, permitindo um avanço nas relações de trabalho do país.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve considerar não apenas os interesses econômicos das empresas, mas também os direitos trabalhistas e a qualidade de vida dos profissionais.

Para que as relações de trabalho evoluam, é preciso um olhar atento para soluções que conciliam produtividade e bem-estar dos trabalhadores, de forma que um exista equilíbrio entre a vida pessoal e o meio laboral.


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Edição: Arthur Raposo Gomes

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