Bruno Nascimento, Camila Ferraz e Juarez Cruz
Pedro Paulo Guedes Gama dos Santos, 25 anos, é um artista multifacetado que se define como muralista, mas transita entre a arte plástica, cerâmica e projetos culturais. Natural de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, Pedro hoje cursa Artes Aplicadas na UFSJ, conciliando sua vivência em arte de rua com uma abordagem acadêmica. Ele carrega consigo a essência da periferia e a paixão por transformar muros em histórias, conectando arte, sociedade e identidade.

“Eu gosto muito de uma citação do Ariano Suassuna: ‘tudo o que ele fez deu errado’. Me identifico porque nunca imaginei que estaria aqui. Foi na tentativa e erro que me encontrei como artista, trazendo da pichação algo que conversa com a sociedade moderna”, reflete Pedro, ao lembrar de sua trajetória marcada por desafios e reinvenções.
Arte como Expressão e Resistência
Pedro começou no design gráfico, mas o contexto das agências o levou a uma crise ideológica. “Eu fazia o que pediam, mas percebi que não acreditava no que produzia. Decidi explorar algo mais meu, o grafite e o muralismo”, conta. Essa mudança o aproximou da estética das ruas, marcada por traços originais e elementos urbanos, que refletem sua origem e conexão com a periferia. Seu trabalho ultrapassa o lado estético. Ao pintar muros esquecidos ou colaborar em projetos sociais, como o Pimp My Carroça, Pedro transforma espaços e vidas. “Revitalizar muros é dar uma nova cara a lugares esquecidos. É trazer beleza para quem vive ali”, destaca, mencionando seu compromisso em unir arte e impacto social.

Entre o Clássico e o Moderno
Na UFSJ, Pedro busca equilibrar a tradição artística com sua abordagem contemporânea. “Aqui se estuda muita arte clássica, e eu acho importante, mas minha visão de arte é sobre conversar com o presente, com as pessoas de hoje”, explica. Mesmo em uma cidade conservadora como São João del-Rei, ele percebe um movimento crescente em torno da cultura de rua, embora ainda enfrente resistência.
Essa dualidade se reflete também em sua técnica, o Caligraffiti, uma fusão de caligrafia e grafismo que explora formas abstratas e fluidez. “Essa técnica mistura caos e controle, algo que vem muito da pichação e do grafite paulistano, mas que hoje tem ganhado espaço no Brasil e no mundo”, comenta.

Sonhos e o Futuro na Arte
Pedro sonha com um cenário onde a arte seja mais acessível e valorizada, principalmente para jovens da periferia. Ele vê na burocracia dos projetos culturais um desafio, mas também uma oportunidade de abrir caminhos. “Quero usar o que aprendo na faculdade para ajudar outros artistas a acessar esses recursos, porque a escrita acadêmica muitas vezes barra quem nunca teve a chance de terminar os estudos”, afirma.
Para o futuro, ele projeta ampliar seus projetos sociais e levar sua arte para novos espaços, mantendo viva a essência das ruas. “A arte é o meu lugar, sem regras, onde eu me expresso e encontro sentido para tudo o que passei. E quero que outras pessoas também encontrem esse espaço”, finaliza.
Pedro é um exemplo de como a arte pode ser um instrumento de transformação pessoal e coletiva, mostrando que até mesmo o caos pode ser belo e necessário.
Experiência no Mercado de Design
Com formação técnica em Comunicação Visual pela Escola Técnica Professor Alfredo de Barros Santos (ETEC) localizada em Guaratinguetá (SP), Pedro iniciou a carreira profissional como designer gráfico júnior na Imprime Brasil, em Lorena-SP, entre 2018 e 2019. Nesse cargo, foi responsável por projetos de identidade visual, desenvolvimento de logotipos, criação de fachadas e materiais promocionais. Além disso, participou de campanhas para marcas de moda e eventos, entregando soluções gráficas que aliam funcionalidade e estética.

Aperfeiçoamento Internacional, Contribuições Comunitárias e Projetos Autorais
Em 2018, Pedro deu um passo importante ao ingressar no programa Erasmus na Escola Superior de Arte e Design (ESAD), em Portugal. Durante esse período, ele aprimorou suas competências em design gráfico e artes conceituais, adquirindo um repertório técnico e criativo que ampliou sua visão artística.
Além de sua atuação no design, Pedro envolveu-se em iniciativas sociais, como o projeto “Pimp My Carroça”, em Guaratinguetá, onde contribuiu com sua arte para personalizar carrinhos usados por catadores de materiais recicláveis. Essa experiência reforçou seu compromisso com o impacto social por meio da arte.
Hoje, Pedro dedica-se à criação artística em diferentes frentes, incluindo pintura mural, decoração de ambientes e produção de quadros. Ele já expôs suas obras em eventos individuais, como no Buritti Shopping, consolidando-se como um artista versátil e inovador.

O que é a Arte para Pedro Gama?
Para Pedro, a arte é um espaço de liberdade e expressão individual. Ele a define como um “estupefaciante”, algo que transporta para um lugar único e particular, livre de regras e padrões impostos pela sociedade. Em suas palavras: “arte é um desprendimento. É aquilo que te transporta para um lugar que é só seu. Pode ser algo que muitos não entendam, mas o importante é que você se sinta confortável nesse espaço. A arte está em tudo, desde a maneira como você se veste até como prepara um prato. Todos são artistas, mesmo que não vivam disso”.
Pedro acredita que a arte é inerente ao ser humano e caminha junto com a nossa existência, sendo uma forma de dialogar com o mundo e com as próprias emoções.
Ele vê a arte como uma ferramenta transformadora e como uma maneira de se conectar com a sociedade, especialmente em contextos urbanos e periféricos, trazendo em sua história que o Caligrafitti e a arte de rua não é só feita pra inspirar e se expressar, mas também como uma forma de luta e resistência.

Edição: Arthur Raposo Gomes
Suporte: Bruno Nézio
Imagem de destaque: arquivo pessoal / Pedro
