Ana Luiza Reis e Giulianna Andrade

Formada em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Elysa Marques é professora de inglês, mentora e criadora da Trilha Smart Teacher, um curso que ajuda outros professores de inglês a se tornarem autônomos e a alavancarem suas carreiras.
A escolha pela carreira, no entanto, não foi planejada. “Eu nunca pensei em ser professora. Foi algo que aconteceu por acaso, mas eu sempre gostei muito de inglês”, relembra Elysa. Durante a graduação, ela percebeu que o ambiente da sala de aula tradicional não atendia às suas expectativas. A experiência não a agradava e ela sentia a falta de valorização da profissão no mercado. Mesmo assim, já dava algumas aulas particulares e começou a enxergar nessa prática uma oportunidade de trilhar um caminho diferente, mais alinhado às suas aspirações.
O Desafio de se Reinventar
A pandemia trouxe desafios, mas também marcou um ponto de virada na vida de Elysa. O desejo de transformar suas aulas particulares em algo maior esbarrava na falta de referências. “Eu ficava pensando ‘eu queria muito que isso aqui fosse minha coisa, porque isso me deixa tão mais feliz. E por que que isso aqui não pode ser meu negócio?’ Só que quase ninguém fazia isso na época, eu era uma das únicas pessoas que realmente pensava nisso”. Poucos professores independentes existiam na época – e os que atuavam no mercado seguiam modelos que não refletiam a essência que Elysa queria trazer para o ensino.
Então, mesmo com diversos impasses, ela decidiu começar no ensino particular. “Eu abri uma escola em dezembro de 2019. E aí chegou em janeiro, veio a pandemia, eu tive que fechar a escola e fiquei on-line. Aí foi muito difícil, porque eu tive que captar um monte de aluno. Ninguém ensinava nada, não tinha nenhum amigo que dava aula particular, não tinha escola contratando mais, porque estava tudo on-line. Na época, eu ainda estava dando aula em escola estadual também. E era uma humilhação assim, constante. Aí, eu fui estudando muito sobre marketing, mas ninguém falava de marketing pra professor até então”.
Elysa encarou o desafio de construir sua carreira no meio digital. Estudava marketing, gestão e finanças por conta própria, para alinhar seu trabalho a isso. “Fui estudando sozinha, aprendendo… Meus amigos começaram a me perguntar, eu comecei a ensinar um e outro aqui e ali. E aí, quando eu vi, tinha 32 alunos e eu ainda estava na escola também. Eu trabalhava de manhã, de tarde e de noite, no meio da pandemia. Que época difícil!”.
Ela enfrentava resistências. Começar jovem em um mercado competitivo significava lidar com dúvidas sobre sua capacidade, além de desafios para precificar seu trabalho e equilibrar a vida pessoal com a profissional. Como mentora, a falta de “glamour“, típico dos coaches, dificultava sua aceitação em um mercado saturado de soluções rápidas e rasas.
“Como mentora, o pessoal não me dava moral, porque eu não tinha o mesmo posicionamento de coach que outras referências. E eu sempre quis fazer da melhor forma possível e isso é muito difícil, porque entregar o melhor conteúdo para o meu aluno implica em trabalhar mais, fazer mais, gastar mais tempo e a galera não faz isso, a galera contrata o monitor mais barato que puder e só se preocupa em vender. Foi bem complicado fazer meu nome em cima de tudo isso”, reflete. Elysa, porém, se manteve firme à sua proposta de entregar o melhor conteúdo possível, buscando oferecer qualidade.
Seu Propósito
Para Elysa, o propósito na educação vai além de ensinar inglês ou preparar professores. Sua empresa não carrega seu nome, mas sim o ideal de autonomia. Inspirada por uma insatisfação com métodos tradicionais, onde o aprendizado era moldado de forma mecânica, quase como fantoches repetindo frases decoradas, Elysa sonhou com algo maior. Em sua visão, tanto alunos quanto professores devem ser capazes de agir com liberdade e segurança, independentemente das circunstâncias. “A minha empresa chama Autônomos, ela não chama Elysa Marques. A minha intenção é que as pessoas sejam autônomas. Meus alunos devem ser autônomos, vão falar em qualquer situação, responder, vão ser capazes. A minha intenção é que todo professor de idioma saiba que ele não precisa de uma escola. Ele pode muito bem ter as próprias coisas, ser independente e livre”.


Seu trabalho é um incentivo à independência: alunos que falam em qualquer situação, professores que constroem suas carreiras fora das amarras das instituições. Para ela, ser educador não é depender de uma escola, mas criar o próprio caminho, com liberdade e confiança. É sobre formar indivíduos capazes de transformar o que aprendem em ferramentas para conquistar o mundo.
Pergunta e Resposta
- “Elysa, qual conselho você daria para professores que desejam começar a trilhar um caminho mais autônomo e independente?”
“Você é muito mais capaz do que você pensa, só que você é obrigado a estudar. Você precisa sim estudar, porque senão os outros vão passar em cima de você, você nunca vai acompanhar.”

- “Olhando para trás, o que a Elysa do início da carreira diria ao ver a profissional que você se tornou hoje?”
“Acho que a gente conseguiu. A gente foi muito mais alto do que eu jamais imaginei. Mas não ficou mais fácil. Continua bem difícil. Mas assim, é gostoso, de qualquer jeito.”
Edição: Arthur Raposo Gomes
Suporte: Bruno Nézio
Imagem de destaque: Giulianna Andrade
