A PRODUÇÃO DO QUEIJO MINAS ARTESANAL TRANSFORMADA EM UMA TRADIÇÃO DA FAMÍLIA TARÔCO

Thomás Guedes e Pedro Malachias

Em uma fazenda de Minas Gerais, a história de Joelma Tarôco e sua família se entrelaçam com a produção do Queijo Minas Artesanal que carrega não apenas o sabor único de Minas Gerais, mas também a herança de gerações passadas. “Nosso queijo é um reflexo do que somos. Ele traz toda a história da nossa família e de como fomos aprendendo ao longo dos anos”, garante Joelma à reportagem.

O começo dessa jornada, como muitas histórias de sucesso, foi marcado por desafios. Em 2014, quando a queijaria ainda estava em fase de implementação, a agricultora não imaginava que o caminho da produção do queijo minas artesanal seria tão transformador. Embora tenha começado sem o conhecimento técnico sobre o processo, um convite da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) para participar do Festival do QMA em Belo Horizonte virou o ponto de virada. 

“Eu não trabalhava com nada disso ainda”, ela lembra. “Levei 80 queijos e, quando percebi, já havia vendido tudo no primeiro dia, pelo dobro do preço que praticamos aqui”, complementa. Esse sucesso inesperado foi o primeiro sinal de que a produção de queijo minas artesanal de sua família teria um futuro promissor.

A trajetória de Joelma e sua família na produção de Queijo Minas Artesanal tem raízes profundas. Sua avó, descendente de italianos, já produzia Queijo Minas Frescal para usar em receitas familiares, como um risoto tradicional que atravessa gerações. No entanto, foi só em 2015 que sua mãe, “Dona Trindade”, decidiu assumir a chefia da queijaria, enfrentando os primeiros desafios da produção e buscando, com dedicação, a perfeição do produto. “O primeiro queijo que minha mãe fez deu certo, foi certificado e tudo mais. Ela é a chefe da queijaria até hoje”, diz Joelma orgulhosa.

Ao longo dos anos, a queijaria foi se consolidando e, hoje, ela tem plena certeza do diferencial de seu produto: “o nosso queijo tem um sabor diferenciado porque usamos leite de gado Holandês, ao contrário da maioria, que usa gado ‘Jersey’. O sabor é mais suave, e o tempo de maturação faz com que ele tenha um gosto ainda mais único. Ele é um queijo muito especial para nós”. Todo o processo de produção é minucioso, desde a ordenha do leite, que deve ser feita com extrema higiene, até os cuidados com a temperatura e a umidade dentro da queijaria, que exigem atenção redobrada.

“Cada estação do ano traz um desafio diferente”, explica. No verão, por exemplo, a temperatura da queijaria precisa ser controlada com cuidado – muitas vezes, com a ajuda de água nas paredes para baixar a temperatura do ambiente. Já no inverno, a umidade e a temperatura mais baixas dificultam a coloração amarelada do queijo, tornando a produção mais exigente. “São desafios atrás de desafios, mas é esse o encanto do processo. Estamos fazendo algo artesanal e genuíno”, analisa.

Esse cuidado com o produto e com o ambiente onde é feito é um reflexo da paixão que a agricultora e sua família têm pelo ofício. Mas o sucesso da queijaria não vem apenas do processo de produção. Joelma também valoriza a relação com seus consumidores e parceiros. “Temos consumidores fiéis, que viajam grandes distâncias para vir buscar o queijo pessoalmente”, conta. “Além disso, temos empórios que vendem nosso queijo e que nos ajudam a divulgar a nossa produção”. A queijaria tem um público fiel que é praticamente uma extensão da família. Muitos consumidores dizem que o queijo tem um sabor especial, único, e é essa conexão direta com as pessoas que torna o trabalho ainda mais gratificante.

De Olho no Futuro

Ao refletir sobre o futuro, Joelma se mostra determinada a continuar a tradição. “Eu estou passando tudo para o meu filho, assim como minha mãe fez comigo”, comenta, refletindo sobre o legado familiar. O queijo que ela produz não é apenas uma iguaria, mas um símbolo cultural. O processo de produção foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial da humanidade, e ela tem plena consciência da importância de manter essa tradição viva. “É importante para Minas Gerais e para o Brasil. Estamos não só preservando uma técnica de produção, mas também representando Minas para o mundo”, afirma com orgulho.

A história de Joelma e sua família é, em muitos aspectos, uma história de perseverança e amor pelo que se faz. O trabalho árduo da queijaria não é apenas uma fonte de sustento, mas também uma maneira de manter viva uma tradição que remonta a séculos e que continua a encantar aqueles que têm o privilégio de provar seu queijo.

“Fazer queijo é um trabalho prazeroso, e é uma forma de manter a cultura viva. Temos o privilégio de fazer algo que representa a nossa terra e a nossa história”, conclui, com um olhar de satisfação enquanto observa o queijo amadurecendo, pronto para levar o sabor de Minas Gerais mais uma vez para as mesas de quem valoriza o trabalho artesanal e genuíno.



Edição: Arthur Raposo Gomes

Suporte: Bruno Nézio

Imagem de destaque: Pedro Malachias

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