ARTIGO: EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – OS PRÓS E CONTRAS DO USO DE CELULARES EM SALA DE AULA

Arthur Raposo Gomes

Desde o avanço do processo de midiatização, e a partir da inegável presença de celulares e outros dispositivos com acesso a internet em quase todos os momentos do cotidiano da sociedade, inclusive no ambiente educacional, existe um dilema: afinal, qual a avaliação e o impacto dessas tecnologias no momento de formação de estudantes no Brasil?

O assunto voltou às rodas de discussão recentemente, quando um projeto de lei que proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas do Estado de São Paulo foi aprovado pela respectiva Assembleia Legislativa, além da notícia que o governo federal também estaria preparando uma lei de teor parecido, conforme publicado pela imprensa.

Um dos lados do campo de debate tende a criticar e rejeitar o uso dessas tecnologias em aula, por exemplo, por causa de possíveis distrações e da chance de algum estudante não ter o dispositivo pessoal para ser usado durante o momento da aula. De fato, o Brasil é um país de proporções continentais e que possui várias realidades sócio-culturais e financeiras. E também não é possível negar que o feed do TikTok ou do Instagram, os aplicativos de jogos on-line e as interações pelo WhatsApp podem ser motivos de desatenção discente.

Do outro, existe quem advoga pelo uso desses recursos tecnológicos no ambiente educacional, se apegando ao fato de estarem presente, querendo ou não, na atual fase da sociedade.

É a Educomunicação que estuda a relação, cada vez mais integrada, entre a Comunicação e a Educação. Esse campo do conhecimento surgiu no início do século 20, com pesquisas feitas nos Estados Unidos e na Europa, enquanto na América Latina, ganhou força a partir da década de 1980. Entre teóricos desse ramo, estão Paulo Freire, Mário Kaplún e Célestin Freinet, além do professor brasileiro e ainda vivo, Ismar Soares de Oliveira. Na Universidade Federal de São João del-Rei, mais especificamente no curso de Comunicação Social – Jornalismo, há a disciplina “Educomunicação”, arguida há anos pela professora e pesquisadora Filomena Bomfim.

Ações educomunicativas podem ser realizadas com diferentes intenções: seja no ambiente escolar, tradicionalmente relacionado visto o viés de formação, seja no ambiente comunitário, a partir da formação popular. Entre os modelos de intervenções previstos pela literatura específica estão “formação para as mídias” e “formação pelas mídias”.

A “formação para as mídias”, ou também “educação para a comunicação“, busca sensibilizar e formar os cidadãos para a convivência com os meios de comunicação. Enquanto isso, a “formação pelas mídias”, também caracterizada pela “mediação tecnológica na educação“, trabalha com a articulação de tecnologias de informação e comunicação nos processos educativos, visando ampliar e expandir as oportunidades de aprendizagem.

Portanto, ao invés de tentarmos abdicar de uma realidade, é preciso investir em formação para os trabalhadores da educação se sentirem mais seguros e preparados em sala de aula para usarem esses dispositivos e orientarem atividades que integram esses instrumentos midiáticos.

Com senso crítico, uma educação libertadora e boas políticas públicas voltadas à educação midiática, é possível transformar as condutas de todos os comunidades escolares brasileiras, convivendo, de maneira mais harmônica, com as mídias, e, desse modo, provocando mudanças positivas na sociedade.


Imagem de destaque: reprodução / Freepik

Todos os textos opinativos publicados no portal Notícias del-Rei são identificados como tal – não refletindo, necessariamente, a opinião editorial do coletivo.

Deixe um comentário