PROGRAMA DA UFSJ OFERECE A OPORTUNIDADE DE APRENDER EM QUALQUER IDADE

Ana Luiza Fagundes e Késsia Carolaine

“Educação não transforma o mundo, educação muda as pessoas e as pessoas transformam o mundo”. A frase de Paulo Freire se mostra atual, e é transmitida dia a dia nos projetos de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei. O programa PALPI (Programa de Alfabetização e Letramento com Pessoas Idosas), ano após ano, realiza a mudança de perspectiva de adultos e idosos.

O PALPI é atualmente coordenado pela professora Mônica Todaro e constituído por discentes do curso de Pedagogia da instituição. Atualmente, o projeto de alfabetização acontece de segunda a sexta em dois horários: de 16h às 16h30 e de 17h30 às 19h.

Em entrevista, Julia Dinali, bolsista do projeto e estudante do oitavo período do curso, destaca que foi encontrada uma defasagem na alfabetização dos são-joanenses, “A Mônica, ao vir para a cidade percebeu essa falta. Aqui nós temos o EJA, porém ele já presume que os estudantes já saibam ler e escrever o que não é bem o que acontece”. O EJA (Educação de Jovens e Adultos), recentemente, quase veio a se extinguir no município devido a problemas nas escolas em que o programa é vigente.

Os três bolsistas Julia, Ana Julia e Celso, e as três voluntárias Daiane, Aline e Sthephany convivem com as realidades vividas pelos alunos, que possuem entre 27 a 84 anos, exigindo uma abordagem diferente da tradicional, o método Paulo Freire em que se utiliza das vivências do indivíduo para o ensino.

Dinali comenta que o ensino primário da escrita e leitura é engessado, muitas vezes não respeitando a bagagem que a pessoa já carrega, com veemência ela diz que até no ensino infantil esse lado é esquecido. O caráter colonialista da cidade prevalece em questões públicas como o acesso à educação, à faixa etária ampliada de adultos e idosos mostra que o direito da aprendizagem ainda não é para todos igualmente, a maior parte dos assistidos pelo projeto vão logo após o trabalho, em busca do que lhe foi tirado.

O projeto atualmente está atuando apenas dentro da universidade. Segundo relata Júlia, há bastante divulgação nos veículos de comunicação da cidade, divulgação boca a boca principalmente em bairros onde o déficit de alfabetização é alto. Uma das metas do PALPI é conseguir parceria com algum órgão público da cidade, para que o projeto possa alcançar outros bairros.

Por abranger uma faixa etária diversa, Julia comenta que uma das maiores dificuldades é lidar com as diversas realidades. “São pessoas com realidades muito difíceis, pesadas… São histórias pesadas, tristes e são pessoas que tiveram o direito à educação básica roubado.”

Lidar com pessoas que tiveram uma vida difícil é apenas uma das grandes dificuldades da profissão de pedagoga. Júlia relata que o curso de pedagogia, por exemplo, deveria ter mais semestres, pois há algumas deficiências na grade.

“A gente não tem uma disciplina étnico-racial, que é algo de extrema importância, a gente não fala de educação sexual que na pedagogia você vai lidar com criança e adolescente, acho que são matérias que a gente precisa ter um embasamento melhor, e não só embasamento externo”, comenta Julia.

Julia finaliza dizendo que uma das metas futuras do PALPI é ver a sala cheia, e que mais pessoas possam chegar até eles e possam ter suas vidas mudadas, já que a educação básica é, ou deveria ser, um direito de todos.

Bolsistas e voluntários do Programa de Alfabetização e Letramento com pessoas idosas. (Foto: arquivo PALPI)


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: arquivo PALPI

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