PROJETO DA UFSJ RECEBE R$ 100 MIL EM RECURSO NO EDITAL DO CAU-MG

Laura Brêtas

Segundo pesquisa do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), mais de 85% dos brasileiros constroem sem o auxílio de um arquiteto ou engenheiro civil. Em São João del-Rei, a realidade é semelhante: famílias de baixa renda enfrentam a precariedade das moradias construídas de forma improvisada, muitas vezes em condições de insegurança. É nesse cenário que o GEPHIS (Grupo de Estudos e Proposições sobre Habitação de Interesse Social), projeto de extensão do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ, atua.

Recentemente, o projeto foi aprovado em 1º lugar no edital do CAU, recebendo recursos adicionais que permitirão expandir sua atuação em São João del Rei. Conforme destaca a coordenadora do projeto, Lívia Muchinelli, o edital inclui verba destinada a beneficiar as dez famílias mais carentes, selecionadas pela equipe do GEPHIS. O edital recebeu inscrições de prefeituras a instituições de ensino superior, e os cinco projetos beneficiados receberão um apoio de R$ 100 mil cada.

Com o apoio financeiro do CAU, será possível planejar e implementar melhorias nas moradias dessas famílias, promovendo acessibilidade, conforto e segurança, por meio da aquisição de materiais, do pagamento de profissionais e da execução das reformas.

O projeto

Lívia Muchinelli, professora na Universidade Federal de São João del-Rei e coordenadora do GEPHIS, aponta que o fundo de extensão da UFSJ, por meio da PROEX (Pró-Reitoria de Extensão e Cultura), oferece transporte para os extensionistas e também outros materiais básicos, como impressão. Assim, devido ao baixo orçamento, a iniciativa foca mais em projetos futuros, e depois cabe a cada família tentar executá-los.

“Nossa ação é muito limitada, por causa da questão financeira. Inclusive é mais do que uma curiosidade, é uma preocupação nossa, de pensar políticas públicas que possibilitem a viabilização dessas obras. Uma coisa é as pessoas não terem dinheiro, e outra é estarem enfrentando uma precariedade habitacional que deixa sequelas na vida delas, que gera riscos”, analisa.

Para angariar fundos, o GEPHIS organiza campanhas, bazares, rifas e oficinas (para os alunos de Arquitetura). Um exemplo é a campanha “Construindo Sonhos”, que recolhe doações de materiais de obra da comunidade da cidade.

Equipe do GEPHIS participando do Domingo no Campus (Fonte: Lívia Muchinelli / arquivo pessoal)

Lívia destaca que, desde o início, o projeto mantém uma boa relação com a comunidade do bairro. Atualmente, o GEPHIS atua presencialmente às sextas de tarde, no salão emprestado pela Igreja.

“Depois do início dos trabalhos do GEPHIS, eu vejo que só vem aumentando a proximidade da comunidade com a UFSJ. Eles sempre vem perguntar, pedir ajuda, e se integrar cada vez mais”, afirma.


Edição: Arthur Raposo Gomes

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