Rafaela Nery
No universo acadêmico, onde o aprendizado teórico se mescla com a busca por experiência prática, o Movimento Empresa Júnior (MEJ) tem se destacado como uma alavanca poderosa para o desenvolvimento de jovens empreendedores sociais. No Brasil, essa iniciativa vem ganhando força e visibilidade, transformando a maneira como os estudantes universitários interagem com o mercado de trabalho e contribuem para o desenvolvimento socioeconômico do país.
Pautado em três pilares — juventude, empreendedorismo e educação — o MEJ impacta significativamente o ecossistema empreendedor local, estimulando o surgimento de novas startups, pequenas cooperativas e grupos de apoio comercial. Em 2023, empresas juniores nacionais movimentaram 80 milhões de reais, número acima do esperado e que, para Igor Neponoceno, líder de formação de lideranças da Brasil Júnior em 2024, se deu graças à garra dos estudantes e à vontade de fazer mais pelo país.
O que faz uma empresa júnior?
Para a sociedade, uma empresa júnior (EJ) funciona de maneira semelhante a uma consultoria, oferecendo serviços e soluções para “empresas reais”. Isso proporciona aos estudantes uma oportunidade valiosa de desenvolver habilidades em liderança, trabalho em equipe, comunicação e gestão de projetos, enquanto ainda estão no ambiente universitário. Rodrigo Vieira, presidente da EJ do curso de engenharia elétrica da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), destaca que conciliar os estudos com o Movimento é uma questão de organização: “Uma gestão de tempo eficaz é fundamental para equilibrar as demandas da EJ e as atividades acadêmicas. As tarefas são realizadas com base em uma fila de prioridades”.
Desde a sua fundação, as empresas juniores têm evoluído consideravelmente em termos de gestão. Ingressar em uma EJ é uma preparação para o mercado de trabalho e, segundo Rodrigo, essencial para a formação de lideranças: “O processo seletivo que eu fiz para o meu estágio não é comparado com o da Ejel. Na EJ ele dura em torno de 4 meses e afirmo: só entra quem realmente quer estar ali”. Para Lorena França, 21, atual presidente Executiva do Núcleo de EJs da região das Vertentes em Minas Gerais e aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ, a Arché, sua EJ de origem, foi a oportunidade perfeita para entender mais sobre seu curso na prática: “Achei que iria realizar as demandas e depois finalizar a minha participação ali. Nem imaginava o que estava por vir. No começo, eu não entendia muita coisa, mas algo dentro de mim tinha certeza que era aquilo que eu queria viver”.
Em Minas Gerais
Em Minas Gerais, a Federação de Empresas Juniores do Estado (FEJEMG) lidera a atuação do Movimento, reunindo 7 núcleos regionais: Central, Vale do Aço, Sul, Norte, Mata, Triângulo e Vertentes, este último inserido na região da Federal de São João del-Rei. Lorena, que teve a UFSJ como berço do seu percurso no MEJ, define como papel do Núcleo Vertentes a formação de lideranças, desenvolvendo e promovendo uma região mais empreendedora através das universidades. Para ela, “todos que passarem por aqui, podem levar a chama da paixão pelo Movimento para os outros cantos do mundo”.
Quanto aos resultados, o presidente da FEJEMG, Breno Xavier, 21, revela que, em 2023, as EJs mineiras movimentaram mais de nove milhões de reais. Minas Gerais abriga o maior Movimento Empresa Júnior do mundo, e ao ser questionado sobre o impacto desse fato, Breno acrescenta: “Esse capital representa um investimento direto nos jovens universitários, que adquirem capacitação prática no mundo do empreendedorismo”.

Impasse
Apesar dos inúmeros benefícios trazidos pelo MEJ, ainda há desafios a serem superados. Dificuldades como a falta de apoio institucional e a burocracia excessiva podem comprometer a sustentabilidade das EJs, tornando essencial o engajamento de instituições de ensino, empresas privadas, governo e sociedade civil para fortalecer o Movimento. Nesse contexto, Breno reforça o papel da FEJEMG e ressalta que o progresso é gradual: “é urgente que o MEJ se torne uma esfera de impacto para todos que dele participarem”.
Lorena também aborda questões relacionadas à comunicação entre as regiões do Movimento. Embora a relação externa — e até mesmo interna, dentro do Núcleo — seja bem-sucedida, ela observa que ainda falta dinamismo: “nossa comunicação é boa, mas muito centralizada em mim. Precisamos desenvolver a interação entre os demais membros do Time Vertentes, para que eles também atuem como ‘ponte’ nessas relações”.
Visão do futuro
Com o crescente reconhecimento e relevância das EJs, tanto no ambiente acadêmico quanto no empresarial, a expectativa é que o Movimento continue a expandir seu impacto positivo no empreendedorismo brasileiro. Na região das Vertentes, Lorena deseja que as empresas do Núcleo se sintam cada vez mais integradas ao MEJ e ganhem destaque em nível nacional: “quero que elas se sintam parte do Movimento, pois é uma oportunidade única de crescimento. Também espero que o Vertentes tenha mais representantes em outras instâncias, na Federação e na Brasil Júnior”.
Pela visão da FEJEMG, Breno aponta que, frequentemente, estudantes, professores e profissionais externos à comunidade acadêmica não reconhecem o Movimento como uma força com grande potencial: “as pessoas têm outras preocupações, mas nossa responsabilidade aqui é garantir que o futuro do Movimento traga impacto positivo, promovendo acessibilidade e oportunidades na educação”. Igor Neponoceno compartilha essa perspectiva. Ao refletir sobre o futuro da Brasil Júnior, ele ressalta a importância de garantir a sustentabilidade das empresas juniores a longo prazo.
“É fundamental que as universidades acreditem e incentivem o empreendedorismo jovem local, promovendo inovação e empresas juniores sustentáveis, apoiadas pelo incentivo governamental e pelas instituições de ensino, para que continuem impactando positivamente a sociedade”, finaliza.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Reprodução – Núcleo Vertentes
