CASA VERDE E COMUNIDADE ACADÊMICA UNEM FORÇAS PARA REFLORESTAR O CAMPUS DA UFSJ

Camila Ferraz

O projeto de extensão Casa Verde da Universidade Federal de São João del – Rei, em parceria com o Levin (Laboratório de Ecologia Vegetal e Interações), a Locus Empresa Júnior do curso de Ciências Biológicas, e o Centro Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo, todos da UFSJ, lançaram a iniciativa “Semeando o Futuro”, um mutirão de plantio de árvores, no campus CTAN,  nos dias 25 e 26 de Outubro, para reduzir os impactos da degradação ambiental causada pelas queimadas que ocorreram nos últimos meses.

Recuperação Ambiental e Educação Sustentável

Criado em 2020, o projeto Casa Verde busca promover a educação ambiental da comunidade externa e acadêmica através da conscientização da sociedade a respeito da importância da preservação ambiental, da sustentabilidade e da mitigação de danos. Orientado pelo professor Ricardo Sepini, do curso de Ciências Biológicas, o projeto realiza trilhas ecológicas no CTAN aos domingos, atividades na Flona (Floresta Nacional de Ritápolis) sobre educação ambiental, além de participar de iniciativas em ações que envolvem práticas sustentáveis e recuperação ambiental.

O mutirão “Semeando o Futuro” surgiu da necessidade de recuperar as áreas verdes degradadas do CTAN, e substituir árvores plantadas anteriormente que não se desenvolveram.

De acordo com Samuel Lima Ribeiro, ex-aluno da UFSJ e um dos ativistas do projeto, a Flona, assim como outras Florestas Nacionais, entra na categoria de unidade de conservação, onde fica localizado um viveiro de mudas para reflorestamento ambiental. Logo, a maior parte  das mudas vêm de doações da unidade, as diversas plantas variam entre doações do curso de Arquitetura e Urbanismo e aquisições do próprio Samuel, totalizando 128 mudas arrecadas para o mutirão. As plantas variam entre espécies nativas da região, espécies ameaçadas, e outras que agregam valores importantes ao fornecer alimento para aves e outros animais.

Integrantes do Casa Verde (Foto: arquivo / Projeto Casa Verde)

Dentre as espécies que serão plantadas, Samuel afirma que é possível separá-las em pioneiras, que possuem crescimento rápido, são resistentes ao sol, e vivem até 100 anos; secundárias iniciais, árvores maiores que também resistem ao sol e seca, entretanto vivem por mais tempo; e por último secundárias tardias, árvores de sombra que mantém uma relação interespecífica com a fauna e a flora, ao produzir alimentos aos animais e serem polinizadas por estes. Contudo, serão introduzidas uma quantidade maior de pioneiras e secundárias iniciais, como a área ainda se encontra muito devastada. O ativista ainda expõe que o plantio possui um manejo específico adensado, do tipo nucleação. Dessa forma, as mudas são plantadas em pequenos grupos de 11, sendo que quatro secundárias iniciais são plantadas na área externa, uma secundária tardia no centro, e seis pioneiras entre as duas anteriores. Assim, a espécie central não ficará desprotegida quando as pioneiras morrerem.

Obstáculos na Preservação Ambiental: a seca e a falta de recursos

A seca que assolou o Brasil entre 2023 e 2024 é considerada a mais extensa e intensa dos últimos 70 anos, afetando cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, ou mais da metade do território nacional. Segundo o relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mais de 70% dos municípios brasileiros estiveram em situação de seca, com 201 deles enfrentando condições extremas. De acordo com dados do Corpo de Bombeiros de São João del-Rei, 309 ocorrências de incêndios foram atendidas pela corporação entre Junho a Agosto deste ano, um aumento de 200% em relação a 2023.

Rebeca Martins Aguilar, estudante do curso de Ciências Biológicas e bolsista pelo programa Casa Verde, declara que, hoje, os maiores desafios encontrados pelos integrantes e ativistas do projeto são de cunho financeiro, “quando a gente vai  fazer atividade na Flona, a gente não tem ônibus (…) a gente depende do professor orientador (…) se fosse pra depender de ônibus, não tinha como ir”.

A estudante ainda alega que, geralmente, os projetos sofrem com a demora na entrega de recursos para o plantio. Rebeca manifesta a importância do engajamento da comunidade externa e, principalmente acadêmica, para promover cada vez mais a consciência ambiental, e garantir voluntários, visibilidade e consequente apoio financeiro.

Como Participar

Para aqueles que desejam se envolver nos projetos e ações do Casa Verde, é possível acompanhar o programa e preencher o formulário de cadastro para voluntários através do perfil da página no Instagram @casaverde_ufsj.

Quanto ao mutirão “Semeando o Futuro”, as inscrições estão abertas até o dia do plantio e podem ser realizadas por meio do formulário disponível na página do Instagram da Locus Empresa Júnior @locusempresajr.


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: arquivo / Projeto Casa Verde

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