Sarah Resende
O projeto de extensão Coração Feliz, desenvolvido pelo curso de Medicina da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), será apresentado pela primeira vez no evento Domingo no Campus. A iniciativa irá proporcionar, no dia 27 de outubro, das 9 horas ao meio-dia, discussões sobre o tema “exercício físico na infância” por meio de atividades lúdicas e educativas. A programação, voltada tanto para crianças quanto para os pais, oferece informações relevantes de forma acessível e interativa.
Criado em 2024, o Coração Feliz tem como principal objetivo informar e oferecer uma rede de apoio para pais de crianças com cardiopatias congênitas, anormalidades na formação ou no funcionamento do coração.
No dia 18 de outubro, em entrevista à Rádio São João, a professora responsável, Mylvia de Resende, e os alunos do sétimo período do curso de Medicina, Arthur Morato Fonseca e Rafael Lopes Dutra, divulgaram as ações do projeto, além de alertar os ouvintes sobre a importância dos cuidados gestacionais.
“Por ser uma condição rara, é importante que se reconheçam os sinais, até mesmo pela letalidade da doença. (..) 80% das crianças acometidas com a condição, tem necessidade de se submeter a uma cirurgia no primeiro ano de vida. Por isso, é importante conscientizar a população para que a gente consiga chegar a esse diagnóstico o mais rápido possível.” afirma Rafael, um dos idealizadores do projeto.
Coração Feliz reforça a importância do acesso ao conhecimento sobre as cardiopatias congênitas. Assim, busca oferecer suporte, tanto informativo quanto emocional, às famílias afetadas por essa condição. Ao participar no Domingo no Campus, os idealizadores visam ampliar o alcance das atividades do projeto e promover atividades lúdicas a toda população.
O Domingo no Campus é gratuito e aberto a todos, não se restringindo a comunidade acadêmica. Para ter acesso as próximas atividades, acompanhe o Instagram @coracaofeliz.ufsj.
Um panorama
As cardiopatias congênitas são patologias raras e surgem nas primeiras oito semanas de gestação, momento crucial para o desenvolvimento do coração. Segundo a American Heart Association, aproximadamente uma em cada 100 crianças nascidas vivas são afetadas pela condição, o que representa 1,35 milhão de doentes por ano em todo o mundo. Em alguns casos, o diagnóstico ocorre somente anos após o nascimento.
A gravidade das cardiopatias congênitas é variável. Algumas condições não interferem significativamente no tempo ou na qualidade de vida do paciente, enquanto outras tornam inviável a sobrevivência fora do útero. O diagnóstico precoce, especialmente durante a gestação, é fundamental, pois permite um melhor planejamento do parto e pode salvar a vida do bebê em casos de cardiopatias mais graves.
No Brasil, a falta de informação e de estrutura adequada representa um dos maiores obstáculos no atendimento às crianças portadoras dessas condições. A mortalidade relacionada às cardiopatias congênitas poderia ser consideravelmente reduzida se todos os cuidados pré e pós-natais fossem devidamente implementados.
O país, no entanto, conta com médicos especializados e experientes nas mais avançadas técnicas cirúrgicas, além de hospitais específicos para operações cardíacas infantis. Isso contribui diretamente para o aumento das chances de sobrevivência e qualidade de vida dessas crianças.
Edição: Arthur Raposo Gomes
