Ana Beatriz Dalchow,
Diego Galvond e Júpiter Porã
São João del-Rei é uma cidade muito conhecida pelos seus pontos turísticos e monumentos históricos, e, para além disso, abriga mais de seis mil alunos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Essa grande demanda de jovens, majoritariamente vindo de outros municípios e estados, faz com que a cidade viva uma dualidade entre costumes/tradições e festas/eventos. Repúblicas universitárias tradicionais, como “Malibu”, “Bombar”, “Vícios”, “Duavesso”, “Santa Casa”, têm o costume de organizarem festas e promoverem eventos que reúnem uma imensa quantidade de estudantes de fora e de nativos da cidade.
Luiz Fernando Loiola, conhecido como “Metralha”, da “República Vícios”, fala que estas festas trazem muita credibilidade à república: “ela fica bem comentada pelo público e quem não conhecia acaba conhecendo. As pessoas vão saber seu nome, vai saber que você é capaz de fazer uma festa maneira e, se for fazer outra festa, as pessoas vão confiar”.
Ana Carolina “Sapatinho”, da “República Duavesso”, diz que o desenvolvimento de uma festa, por mais simples que possa ser, estabelece funções para cada morador da república.
Assim, segundo ela, “trabalha o senso de responsabilidade, autonomia, dinamismo da casa e alinhamento de ideias”. Com isso, a relação do coletivo se estreita, devido ao fato de que “a organização da festa passa a ser um objetivo comum em um meio que cada um tem seus próprios interesses”.
“Projeto V”, evento organizado pela junção das repúblicas “Duavesso” e “Vícios” em outubro de 2023, foi uma festa que contabilizou mais de 700 pessoas. Em relação a cidade, essas festas ocasionam em chamar público de cidades vizinhas para além dos estudantes da universidade.
Segundo os entrevistados, as festas têm impacto na economia e no cotidiano na cidade. Ana Carolina relembra que, na ocasião, ficou responsável pelo primeiro turno da portaria, conferindo os ingressos, RGs e carteirinhas de estudante. Com isso, ela pode ver de perto a quantidade de pessoas que vieram de fora para o evento.
“Lavras, Viçosa, Juiz de fora, Belo Horizonte e Divinópolis foram alguns dos lugares que vieram um número significativo de pessoas, além das cidades vizinhas, como Barroso, Santa Cruz, Entre Rios, Lagoa Dourada, São Tiago e outras. Assim, fica evidente que com esse fluxo de pessoas diversos setores da economia são beneficiados, como o de transporte, alimentício e o comércio local no geral”, defende.

Ponderações existem
Mas como toda moeda possui dois lados, as festas universitárias geram diferentes opiniões entre os estudantes e os nativos da cidade.
O são-joanense Carlos Eduardo relata à reportagem que já chegou a reclamar com a polícia em relação ao barulho de algumas festas de república próximas à sua casa. Carlos acredita que grande parte das festas não tem capacidade de movimentar a economia da cidade e que deveriam ser feitas em espaços distantes das áreas residenciais.
Já a manicure Maria do Rosário diz que os eventos dos estudantes a incomodam, principalmente quando acontecem durante toda a madrugada.
Ambos os entrevistados acreditam que as festas acabam afastando os estudantes da população nativa de São João del-Rei, uma vez que geram comentários sobre depredação da cidade e perturbação do sossego alheio.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Ryan Carlos / arquivo
