Henrike Guttembergue Silva
É uma manhã qualquer de agosto, na Avenida Tenente Villas Boas, o pequeno café “Doce Amanhecer” abre suas portas para mais um dia. No entanto, para muitos dos clientes aquela não era uma manhã comum, para Jonas, especificamente, era o início de mais um dia duplo: trabalho no escritório e estudo à noite.
Jonas tinha 30 anos e trabalhava como analista financeiro em uma grande empresa. Seus dias eram preenchidos por números, gráficos e relatórios. Ele chegava ao escritório antes das oito, sempre com seu café em mãos, tentando se preparar mentalmente para as longas horas à frente do computador. Mas, ao contrário de muitos de seus colegas, o dia de Carlos não terminava ao fim do expediente. À noite, ele era estudante de Administração, buscando ampliar seus horizontes e melhorar suas perspectivas de carreira.
No cubículo ao lado, Márcio de 23 anos, organizava uma pilha de documentos. Ele era assistente administrativo e também estudava à noite. Márcio e Jonas frequentemente se encontravam para discutir as dificuldades e os desafios de conciliar trabalho e estudo. “É cansativo, mas valerá a pena”, diz Márcio, enquanto realiza atividades do cotidiano.
Jonas sabe bem o que Márcio queria expressar, pois muitas vezes, depois de um dia exaustivo no escritório, ele ainda precisava encontrar energia para assistir às aulas, fazer trabalhos e estudar para as provas. Porém com persistência e determinação continuava seguindo seu caminho dia após dia. O ambiente de trabalho no escritório tinha suas particularidades. Havia os colegas sempre animados e cheios de energia, os prazos apertados, as reuniões intermináveis e as pausas para o café. No “Doce Amanhecer”, Jonas e Márcio frequentemente se encontravam para um breve momento de descanso. No valioso momento degustando de um café, conversam sobre os desafios diários e as humildes vitórias.
Nesta manhã de agosto, o movimento do café aumentava, e a cafeteria vibrava com a energia daqueles que se dedicavam ao trabalho no escritório e aos estudos. Jonas e Márcio, junto com tantos outros, mostravam que, apesar dos desafios e da rotina muitas vezes exaustiva, era possível encontrar satisfação e propósito naquilo que faziam.
Entre relatórios e livros, construíam diariamente suas histórias, regadas a muita determinação e um bom café.
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