EXPLORANDO A RUA DA CACHAÇA: O CORAÇÃO CULTURAL DE SÃO JOÃO DEL-REI

Bianka Monteiro, Maria Eduarda Resende,
Maria Luiza Meireles, Natália Vitória e Quézia Alexandra

Localizada no município de São João del-Rei, em Minas Gerais, a Rua da Cachaça, conhecida por muitos como “Rua da Zona”, é mais do que um simples endereço: é um ícone da cultura e da tradição da região. Com suas fachadas que refletem um passado cheio de histórias, esta rua é o cenário de um costume entre os frequentadores. Conhecida por suas noites de diversão entre os jovens universitários, esta rua também carrega o apego emocional de moradores devotos das igrejas que rodeiam o local e dos comerciantes que preenchem o ambiente.

O famoso “forró”, nome dado ao encontro de alunos universitários, já virou um hábito na cidade. Todas as quartas, jovens se reúnem em um momento de descontração e movimentam o centro do município. Durante um dia desse evento, a reportagem entrevistou alguns frequentadores da rua.

“Toda quarta-feira que dá pra vir, eu venho”, comenta o discente João Vitor Coimbra. Ele ainda elenca pontos positivos no local.

“Bebida barata, galera reunida, música boa, aproveitar com os amigos sem ser na faculdade… acaba sendo um momento pra ficarmos mais extrovertidos. Melhor para conhecer novas pessoas, galera de outras repúblicas”, enumera.

Já a graduanda em Zootecnia, Noemi Souza, aponta que gosta de frequentar essa rua em alguns momentos específicos.

“Depende de quando os bares estão abertos, o ambiente é totalmente diferente de quando os universitários ocupam, porque quando tem forró aqui o ambiente é muito diferente. Acho que (a Rua) fica mais característica de São João quando os bares estão abertos. Quando não tem universitário parece uma cidadezinha histórica, é diferente. A estética de colocar mesa na rua é completamente diferente e atrai mais pessoas que gostam de bar“, explica.

A rua é o verdadeiro xodó dos frequentadores fiéis, mas nem sempre tudo sai como o esperado para eles.

“É importante, mas a música deveria ser mais efetiva, mais constante. Não sabe se vai chegar lá e vai ter música. É uma coisa importante ter música. Fico com medo me perguntando ‘será que vai ter música? Um som legal?’”, reflete a estudante de Psicologia, Larissa Pereira.

A também graduanda em Psicologia, Anne Marques, aponta que “nunca se sabe se vai ser realmente bom ou se vai ser ruim”. “Sinto falta de uma certeza”, completa a também futura psicóloga, Larissa Pereira.

Anne sugere ainda sugere: “deveria ter algum acordo com os moradores, algo mais organizado, porque eles reclamam muito. Devia ter uma regra”.

O barulho excessivo e a bagunça no fim de noite são a maior preocupação entre os moradores da região. Derek Resende, morador local, comenta sobre as vantagens e desvantagens de estar 100% presente no ambiente.

“Gosto, não vejo problema algum na ‘Rua da Cachaça’. Costumo frequentar quando os shows são na parte da tarde, gosto até de levar meus filhos para ver as bandas que estão tocando ou quando tem alguma amostra. A ‘Rua da Cachaça’ é interessante e tem eventos legais. Os pontos positivos são os shows na rua, banda ao ar livre que é difícil de ter em São João, acho importante culturalmente porque expõe arte e música, evento em céu aberto dá para levar as crianças. Já o ponto negativo é quando tem os eventos noturnos. Quando acaba as pessoas ficam na pracinha até de madrugada com som alto e tocando violão, atrapalhando os moradores da praça”, afirma.

Movimento cultural da cidade

Falando sobre a importância econômica da “Rua da Cachaça”, Rogéria Gomide, administradora do Centro Cultural Feminino, defende que “a ‘Rua da Cachaça’ é muito importante para a cultura de São João, além de ser uma das mais charmosas. Acredito que o que falta é comércio, uma cafeteria para os turistas além da iluminação e uma placa de identificação”.

Um movimento realizado é a “Feira da Boa Zona”, que organiza eventos que acontecem durante o dia como o Patrimoniar o que há de bom” e o “Festival de Inverno”, reunindo em um só lugar, música, arte e cultura.

Segundo Isadora Simões, uma das colaboradoras da feira, a rua é importante no contexto social e econômico da cidade. Pois é um espaço que valoriza os comerciantes locais e permite que os feirantes tenham liberdade para instalar seus estantes por uma pequena taxa. Sendo também um lugar de muita memória afetiva para a população, como um ponto de encontro entre amigos e familiares.

Relembre

No ano passado, um abaixo-assinado foi feito pelos moradores para acabar com os eventos noturnos. O problema principal é o “pós forró”, onde a música alta permanece a noite inteira e os casos de pichações e xixi na rua são comuns.


Edição: Arthur Raposo Gomes

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