Clara Lages, Magno Jr., Maiara Maia,
Maria Lima e Marina Pedocchi
O último domingo (11) foi marcado pelo encerramento das Olimpíadas 2024, em Paris.
Durante as últimas semanas, atletas de todo o mundo representaram seus países em diferentes modalidades, determinados a conquistarem o pódio. Ao todo, a competição contou com 274 atletas brasileiros, sendo cerca de 20 deles mineiros.
Nos últimos anos, o estado de Minas Gerais tem se destacado cada vez mais no esporte e revelado ao mundo talentos que deixam sua marca em diferentes modalidades. Em 2024, essa tradição se manteve viva, com atletas mineiros levando suas habilidades para os palcos olímpicos de Paris.
Entre eles, destaca-se a mineira Ana Patrícia Ramos, natural de Espinosa, uma das responsáveis por trazer o ouro para a equipe brasileira. A medalha veio após a vitória sobre o Canadá, na final olímpica do vôlei de praia feminino. Em entrevista ao Globo, a atleta comentou que quase desistiu do esporte após os ataques nas redes sociais e da eliminação em Tóquio, mas foi sua dupla, Duda, que a incentivou a continuar.

Vinicius Assis Matos, de 22 anos, também foi um dos atletas mineiros na competição. Ele participou dos jogos olímpicos pela primeira vez competindo por equipes no taekwondo. O jovem conta, à reportagem, que se apaixonou pelo esporte ainda criança.
“Comecei de uma maneira criativa, não pensando em competição, e ao longo dos anos fui me graduando. Até que em 2016, participei de uma competição, uma seletiva para o campeonato brasileiro lá no Paraná. Eu consegui passar na seletiva, fui para o campeonato brasileiro e fui campeão pela primeira vez, iniciando assim minha carreira esportiva de alto rendimento. Desde então, venho competindo em várias competições nacionais e internacionais”, descreve.
Em 2019, o atleta entrou para a Seleção Brasileira de Taekwondo e teve sua primeira conquista internacional, se tornando campeão dos Jogos Pan-americanos Júnior, em Portland, nos Estados Unidos.

Para Vinicius, a participação nas Olimpíadas 2024 foi a realização de um sonho. Além da conquista pessoal, o atleta destaca também a conquista para a equipe brasileira do esporte.
“Essa participação do Taekwondo por equipes é algo gigantesco, porque estamos sendo pioneiros, um dos primeiros países a participar dos Jogos Olímpicos dentro dessa nova modalidade. É algo grandioso demais, fizemos história mesmo não trazendo o melhor resultado para o nosso país”.
As expectativas que a disputa por equipes do esporte se torne uma modalidade oficial dos Jogos Olímpicos são altas, muitos, incluindo o atleta, acreditam que na próxima edição o taekwondo por equipes já fará parte do catálogo de esportes olímpicos.
“É uma felicidade muito grande, creio que irá trazer muita visibilidade para o esporte e o Brasil tem grandes chances de trazer resultados positivos nessa nova modalidade”, ressalta ele.
As competições do taekwondo foram realizadas em um dos pontos turísticos mais conhecidos de Paris, o Grand Palais. Encantado com a cidade, Vinícius relata ao Notícias del-Rei o quanto a estrutura da capital francesa estava impecável, com logística prática e policiamento reforçado durante os Jogos.
Ao ser perguntado quais sonhos ainda pretende realizar dentro do esporte, o atleta nos conta que além de trazer a medalha olímpica para o Brasil, também tem o desejo de usar o seu dom para fazer a diferença na vida das pessoas.
“Hoje as pessoas já dizem que se inspiram em mim, mas eu ainda quero agregar mais nessas vidas, fazer um projeto social, trazer os moleques de quebrada para mudar a vida deles, assim como o Taekwondo tem mudado a minha vida. O esporte muda vidas, tira elas de coisas ruins. E se eu puder participar dessa ação podendo mudar a vida das pessoas, com certeza vou finalizar minha carreira com a maior felicidade possível”, conclui ele.
Uma outra perspectiva
Não só os atletas representaram Minas Gerais pelas ruas francesas. A jornalista esportiva Isabela Damazo, de São João del-Rei, acompanhou de perto os Jogos Olímpicos e conta um pouco mais sobre o evento.
Para Isabela, ser de uma cidade do interior de Minas impacta diretamente na pessoa e na jornalista que ela é, e também nas experiências que está vivendo.
“Eu tinha algumas referências que saíram de São João, enfim, conquistaram lugares legais, mas quando você vê que é possível, isso é muito legal, né. Então eu acho que esse é o principal tópico, sabe, de entender as possibilidades, mesmo vindo de um lugar menor e olhar para as coisas, o tamanho que as coisas têm e tipo, cara, é possível chegar.”
A jornalista comenta que, durante os jogos, teve contato com outras pessoas que também são mineiras, de diferentes lugares do estado, e ressalta a similaridade dos mineiros ao desfrutar os momentos.

Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei, a mineira revela que sempre sonhou em trabalhar nas olimpíadas, e após sua experiência na Copa do Mundo Feminina, esse desejo se intensificou ainda mais. Determinada a realizar esse sonho, ela planejou e se organizou financeiramente para poder ir. “Consegui me organizar para me bancar financeiramente em Paris, então praticamente eu vim por conta. A empresa não pagou igual foi na Copa”, relata ela.
A jornalista comenta que desde o início da graduação já sabia que Paris seria sede das Olimpíadas e que, por isso, sua participação foi resultado de um planejamento cuidadoso, destacando a organização financeira.
Isabela teve impressões positivas da cidade, principalmente sobre a organização durante a realização do evento. Mesmo ouvindo muitas opiniões positivas e negativas a respeito do transporte público, encontrou tudo muito bem estruturado e fácil de se orientar. Ela observou um aumento nos preços das passagens. E também destaca as oportunidades de empregos que surgiram: “As Olimpíadas trouxeram muito trabalho para a galera local e pra quem não é daqui também”.
A mineira não possuía credencial, o que a impedia de acessar alguns lugares. Mas relata uma experiência memorável de entrevistas com atletas na Casa Brasil, como a surfista Tatiana Weston Webb que foi medalhista de prata.
“Já acompanhava ela, então eu pude fazer uma pergunta sobre isso, sobre seu desempenho durante o ano e durante os últimos anos que ela vinha batendo na trave no circuito mundial”, além disso, ela também conseguiu perguntar para a Bruna Alexandre, do tênis de mesa, a primeira atleta brasileira a competir nas Paralimpíadas e nas Olimpíadas.
“Foi bem legal porque é uma experiência completamente diferente. Claro, não foi medalhista, mas o feito dela é histórico, né?”.
Ao retornar das Olimpíadas em Paris, Isabela compartilhou lições valiosas que aprendeu ao longo dessa jornada. “Acreditar muito, porque foi uma das coisas que me fez chegar até aqui, não só na Olimpíada, mas também na Copa”, refletiu ela, destacando a importância da fé em seus objetivos.
A jornalista também enfatiza a necessidade de esforço constante: “Se eu não tivesse trabalhado nos últimos anos da forma com que trabalhei, essa oportunidade não chegaria”.
Além disso, Isabela mencionou como as Olimpíadas lhe trouxeram histórias inspiradoras de superação, mostrando que “nem sempre o primeiro lugar é o mais importante”. Sua experiência em Paris não só reforçou essas lições, mas também a preparou para futuras conquistas, reafirmando o valor do trabalho árduo, da perseverança e do aprendizado contínuo.

De Paris para a sala de casa
Com o bom espírito de torcedor brasileiro, Bernardo Ferreira, de 33 anos, não perde uma edição dos jogos olímpicos desde que assistiu pela primeira vez com o pai, em 2000. O administrador conta que acompanha todas as competições, mas dá preferência às participações brasileiras e ao seu esporte favorito: a natação.
“Eu particularmente gosto muito de natação, por ter sido meu primeiro esporte praticado, e por ter tido o maior atleta olímpico de todos os tempos, que foi o Michael Phelps, com 28 medalhas conquistadas.”, afirma Bernardo, que assistiu os Jogos de casa.
Para Bernardo, os resultados do Brasil nos jogos foram abaixo do esperado. Ele aponta o quanto a falta de investimento nos atletas prejudica o desempenho do país nas competições.
“O problema do Brasil é investir pesado no futebol e deixar os outros esportes de lado, não tendo tanto incentivo, profissionais para treinar, sempre trazendo de fora do país, e o principal que é a falta de patrocinadores para o esporte olímpico, onde muitos largam os esportes por não terem condições”.
Bernardo ainda exemplifica a falta de incentivo como o caso do atleta Caio Bonfim, medalhista de prata da marcha atlética, onde o pai precisou se endividar para fazer do filho um medalhista olímpico, por falta de patrocinadores.
Já o estudante Breno Esteves, de 21 anos, teve contato pela primeira vez com os Jogos Olímpicos em 2016 e, desde então, acompanha todas as edições.
“O motivo que gosto de acompanhar é por interesse pessoal, mas podemos dizer que também fui influenciado pelo meu pai quando mais novo. Hoje em dia é mais por terem colocado o Skate nas olimpíadas de 2021, isso me fez despertar um interesse maior em assistir, antes acompanhava só o futebol”.
Ele revela que tem o esporte como um meio de distração e entretenimento, além de acompanhar as competições, ele também pratica seus esportes favoritos: futebol e skate. Assim como Bernardo, Breno também concorda que o país teve um desempenho abaixo do esperado: “o Brasil é um país com uma qualidade gigantesca nos esportes, então está deixando a desejar um pouco nas competições”, conclui o telespectador.
Ao todo, o Brasil conquistou 20 medalhas – três ouros, sete pratas e dez bronzes. O número não superou o recorde dos últimos jogos olímpicos, em 2020, na capital japonesa, mas ainda assim o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) afirma que houve uma evolução do Time Brasil.
Comida mineira por Paris
Não só os atletas mineiros conquistaram pódio na França, a culinária de Minas Gerais também marcou presença por lá. O Minas Bar, espaço montado na Casa Brasil, em Paris, recebeu turistas e atletas para vivenciar sabores da cultura e culinária mineira.
Queijos de diferentes regiões mineiras, milho, carne de porco, frango, mandioca, café, torresmo, fubá cremoso e bomba de goiabada foram algumas das iguarias oferecidas ao público dos Jogos Olímpicos
Atletas como Rayssa Leal e Bia Souza, ambas medalhistas olímpicas, passaram pelo espaço e provaram o famoso pão de queijo com pernil mineiro. “É simplesmente incrível, eu não consigo parar de comer!”, exclamou a judoca, como relata o veículo Diário do Comércio.
A ação fez parte de uma iniciativa do Governo de Minas para promover as atrações turísticas do estado. Além da gastronomia, o espaço “Pedale por Minas” ofereceu um tour virtual por destinos mineiros, como a Cachoeira do Tabuleiro, que possui uma queda livre de 273 metros.
Durante as Paralimpíadas, que acontecem de 28 de agosto a 8 de setembro, o espaço continuará ativo, encantando ainda mais pessoas com a cultura mineira.

Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: arquivo pessoal
