Gabriel Leite dos Santos
Meu livro favorito se chama “Meu pé de laranja lima” por José Mauro de Vasconcelos: um livro semi-biográfico que foi lançado em 1968 e ganhou o mundo com várias traduções e adaptações.
O que me fez ser apaixonado pela obra não foram palavras rebuscadas, edição de luxo ou muito menos o sucesso que o título trazia, mas sim o autor, que a partir da sua forma de escrever me fascina, traz em cada página uma nostalgia de um tempo que nunca vivi. Ali eu lia palavras do pequeno Zezé, um menino mirrado, paupérrimo e de apenas 6 anos de idade.
José Mauro se inspirou nas próprias bençãos e desgraças dos anos de sua formação para escrever três livros. A técnica que utilizava era realmente única: se debruçava numa mesa com a história na cabeça e começava a trabalhar em uma máquina de escrever até que ficasse exausto. Dizia também que podia escrever os livros em qualquer ordem, pois já os tinha completamente na cabeça.
Me deparar com essa técnica de escrita me fez querer seguir os mesmos passos – me inspirar tanto na superação do menino Zezé fictício, quanto da carreira de José Mauro, ser artista, fazer arte, provocar sentimentos nas pessoas através da minha própria visão de mundo, a essência do indivíduo alcançando o coletivo.
É curioso como o tempo não existe na ficção – estórias que continuam alcançando pessoas através de gerações e mudando suas vidas, seus sonhos e objetivos. Tamanho poder é algo que realmente deve ser chamado de arte, porque arte é isso, é movimento, é transformação e é atemporal.
Até hoje não me sinto digno de ter tal poder, mas certamente continuo tendo um coração que pulsa arte. Eu tenho uma vida em que fiz escolhas baseadas no meu primeiro livro lido, meu favorito, e preciso dizer que não é fácil, mas com certeza vale muito a pena. Se movimentar pelo que ama é assustador e maravilhoso e um dia espero poder alcançar a arte daqueles que me inspiram.
Até lá, sigo observando, imaginando e criando.
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