Eduarda Bataglia
Se pararmos um pouco para pensar: será que há sentimentos nas ruas?
Na Grande São Paulo, por exemplo, tantas pessoas passando pelos mesmos locais diariamente, mas ainda sim vendo rostos diferentes. Nos metrôs: vidas diferentes, vivências diferentes.
Desde Dona Nena, mãe de família, empregada doméstica, com a maior fé do mundo! Batalhadora, guerreira, mãe de 3 filhos: Gael, Raissa e Anderson. Faz de tudo e dá seu melhor por eles, nunca deixou faltar nada na mesa, principalmente o principal: o sentimento! O amor de mãe.
Temos também o Renan, jovem negro e periférico. Faz o seu, sem fazer mal para ninguém. Focado em fazer o seu, Renan tem o sonho de chegar ao primeiro lugar do pódio. Sem pisar em ninguém, apenas fazendo o dele, um jovem refém do famoso CLT vai pra luta. Renan apenas quer o melhor para os seus, com a ambição de crescer, crescer, mas crescer tanto que não poderão o tirar de lá, onde ele batalhou tanto para estar.
Reparando um pouco mais nesse vagão tão cheio, vejo a jovem Júlia. Loira, branca, classe alta. Cursa Design na ESPM, já no terceiro período, experiente. Rascunha durante as viagens de trem os rostos que vê por ali. Apesar da criação, Júlia tem o desejo de sair de sua bolha. Quer entender, aprender e ver diferentes vivências. Seu pai Vitor, não aprova a ideia, empresário bem sucedido, escritório na Paulista, queria a filha trilhando o mesmo caminho. Júlia porém, o contraria ainda mais do que se imagina.
Alimenta um sentimento por Cauã, com quem divide vagão às vezes as sete da manhã. Cauã vem da zona leste. Cara fechada, mais um dos jovens negros de periferia. Trampa num café chique de motoboy, até de garçom às vezes para ganhar uns trocos a mais. A história conturbada dos dois, ainda tem muitos obstáculos para ultrapassar.
Mas como perguntado antes se há sentimento em São Paulo, Dona Nena, Gael, Raissa, Anderson, Renan, Júlia e Cauã são a prova viva de que há. Muitos rostos, muitas vidas. São muitas histórias e vivências, que, com certeza nutrem muitos sentimentos. Desde o amor de mãe, a ambição de crescer para tirar os seus do sufoco até o enfrentamento de diferenças por um amor.
Tudo isso nos prova que o que não falta nas ruas são sentimentos.
Imagem de destaque: arquivo pessoal
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