Ana Luiza da Silva Giordano
Você já ouviu falar no maior museu a céu aberto do mundo? Inhotim traz arte contemporânea e natureza em um só lugar. É um dos lugares mais bonitos que já visitei. Como expressar por meio dessa escrita meu apreço a esse lugar? Inhotim é um verdadeiro santuário, você deve visitar com o coração aberto e a alma leve para ter a experiência completa.
Quando cheguei vi diante dos meus olhos a beleza em sua mais pura essência de calmaria e levidez. O ar puro comparado ao caos da cidade vizinha me deixou em transe, o canto dos pássaros, as cores vibrantes correndo por minha volta eram a mais perfeita sinfonia que deusa Gaia, a mãe terra, poderia me apresentar.
Me senti pronta para me conectar profundamente com a essência daquele lugar. Caminhando pelos jardins de Inhotim é como estar sonhando. A cada passo que eu dava ficava cercada de uma energia vibrante inexplicável, eu estava sonhando acordada. As grandes árvores a minha volta me sussurravam suas histórias e segredos mais antigos como um bela melodia para meus ouvidos.
Quanto mais edifícios visitava, mais difícil era me despedir da conexão que criara ali. Cada arte trazia-me a reflexão sob uma linha tênue, do frágil ao belo mundo em que vivemos, a arte não é apenas uma expressão humana em meio a rotina monótona em que vivemos, mas sim uma manifestação de espírito da própria natureza conosco. Que com suas benções e graças nos deu o talento para podermos contar sua própria história. A verdade é que a arte retrata a união dos seres vivos como um todo, uma celebração silenciosa e espiritual do que significa estar vivo.
O sol estava se pondo quando cheguei a essa conclusão, a arte nos foi enviada para podermos deixar o mundo a nossa volta mais colorido, sentir-nos acolhidos com nossas decisões e manifestações que vibramos para Gaia. Sentir-se como parte de alguma coisa, ter o sentimento de pertencimento é a real narrativa para se conectar profundamente com a essência da vida e ter um motivo para seguir em frente e continuar vivendo. Todas as artes de Inhotim contam uma narrativa silenciosa, como as árvores, cada um pulsa sua própria energia, como se estivessem ligadas ao grande cosmos, vivas.
Ao final do dia, quando caminhava rumo a saída do museu senti uma gratidão imensa a Mãe Terra e aos artistas, pelo que me proporcionaram. Ambos me acolheram em um abraço caloroso. Inhotim não é só um lugar, é um estado de espírito, um portal mágico dentro do nosso mundo onde a arte e a natureza coexistem em perfeita sincronia e harmonia, é lindo de se ver.
Inhotim é uma experiência que deixa saudades em meu coração, deixei o instituto apaixonada e com a imediata promessa de voltar algum dia, pois lugares como esse são um verdadeiro santuário para nós, meros mortais.
Ali na copa das árvores encontrei o meu verdadeiro eu.
A Deusa Gaia havia tocado em meu coração, falado comigo, sem nem mesmo eu perceber de forma imediata, e eu apenas a compreendi no fundo de meu âmago.
Imagem de destaque: arquivo pessoal
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