Jhonatan Marques
“As pessoas que sabem viver bem são chamadas de loucas”. Essa foi uma frase que um grande amigo me disse uns meses atrás e isso deixou minha cabeça alvoroçada. Já fiz muita bobagem, mas talvez não tenha sido o suficiente; ou talvez eu fiz bobagem até demais. Talvez a gente se importe demais com o julgamento dos outros a ponto de limitar a nossa própria felicidade. Talvez eu pense demais.
Tem vezes que viver é um saco, não posso mentir. Acontece muita coisa e nada ao mesmo tempo, pensamos em tudo e não fazemos nada, deixamos coisas importantes a se fazer para depois, preferimos nos distrair do que fazer obrigações. As pessoas cobram muito e se preocupam com pouco. Sonhar é mais gostoso, pois a única obrigação em um sonho é se divertir. De nada adianta procurar a paz interior se não consigo alcançá-la. Mas, na verdade, eu não tenho muita noção do que eu realmente considero como paz. Quem eu quero enganar? Sonhar é bom mas não condiz com a realidade!
A teoria de que tudo é uma simulação do tipo Matrix nunca fez tanto sentido. Tem muitas pessoas ao meu redor que gosto e que me fazem bem, mas vai lá saber se aquilo que me é demonstrado é só um personagem. Chega a ser engraçado quanta confusão rola na cabeça dos humanos.
A mudança me assusta e até me arrepia. Fico inquieto em pensar na possibilidade de ninguém me achar interessante, ou pior ainda, não gostar de mim. Quanto mais a gente cresce, mais percebemos que a vida não é fácil. Cada um cria seu próprio caminho e sua própria forma de ser. Não é fácil aceitar que nem tudo é um mar de flores e que no final do dia estamos solitários.
Solitário, mas nunca sozinho. No final das contas as pessoas só deveriam amar cada vez mais as coisas mais bobas. Todo mundo tem um jardim lindo dentro de si, e, mesmo que a grama do vizinho pareça mais verde, alguma borboleta vai achar suas flores as mais belas.
Andar por aí ouvindo jazz em um fone de ouvido aquieta o coração. Cada vida é um filme com sua própria trilha sonora e a minha não poderia ter músicas melhores. Aproveito toda oportunidade que tenho de estar com quem amo, mas não deixo de apreciar quando estou só. Queria que todo mundo tivesse a habilidade da autossuficiência sem desprezar os outros. Encontros casuais ou românticos são sempre divertidos e, por mais que eu seja jovem, eu tenho certeza que diversão não acaba quando a vida adulta chega. Esse blá blá blá de que não dá pra mudar o passado sempre me deixa agoniado: Sim, não podemos mudá-lo, mas e daí?
O passado pode ter influência no presente, mas ainda há um futuro a ser feito. O tempo que se passa lamentando por algo que aconteceu é o tempo em que se poderia estar treinando alguma arte que não se compreende. Todo mundo já teve um amor não correspondido, e a Terra continuou a girar; se machucou com palavras e frases absurdas, e a Terra continuou a girar; tiveram decepções familiares, e a Terra continuou a girar.
A vida continua mesmo assim. Acertar é bom, errar também. Cada um vive loucuras e nem por isso devemos guardar ódio ou rancor das pessoas. Na verdade, acho que viver é uma delícia. “Um mundo perfeito nunca é perfeito, apenas cheio de mentiras”, como dizia Kendrick Lamar.
É uma satisfação imensa saber que tem tantos defeitos por aí e com isso tantas coisas pra amar: A transição entre a tarde e a noite com um lindo pôr do sol, uma comida deliciosa, um filme clichê, uma paixonite aqui e outra ali, uma reunião entre amigos, uma piada idiota que te faz rir.
Toda pessoa que passa pela minha vida tem um lugar importante em minha alma. Pode ser coisa do destino, ou talvez eu faça meu próprio destino. Não sei e acho que nunca vou saber, mas, fazer o que?
O misterioso e o desconhecido me agradam.
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