CRÔNICA: UM LAR. OU DOIS?

Diego Galvond

Dezenove anos e a vontade de sair de casa era tudo que ele tinha: já trabalhava e fazia seu dinheiro não queria mais saber de seu lar, então começou o planejamento de se mudar, mas pra onde e com que intuito? Isso o assolou por meses.

“Vou seguir um sonho antigo, mas que ainda bate aqui dentro, trabalhar com aquilo que amo, mas pra isso tenho que estudar… e muito”.

Então começou a saga, avisou sua família que se tudo desse certo já não estaria mais ali no ano seguinte – uma notícia que choca, escutou ser muito novo de um lado mas sempre recebeu total apoio e foi atrás do resultado, e ele veio.

O choque agora vinha de dentro: aquela vontade de ir embora se viu balançada com o tamanho da saudade que levaria na mala. Chegou ao novo e desconhecido, uma casa com outra nove pessoas que nunca viu na vida todas vindas de outras partes do país, um lugar onde não conhece ninguém e nem nunca esteve antes.

Sentimento de estranheza e saudade no começo, até ser acolhido por quem ali já estava há um tempo. Todos demonstraram que passaram o mesmo. Toda falta que sentia já foi sentida antes por outros. Pensou em desistir, mas por um período breve: ninguém te obrigou a ir – “você não vai desistir fácil assim”, acredita.

Uma nova rotina totalmente diferente de tudo que viveu anteriormente. Nem viu o tempo passar, matou a saudade em curtos momentos de volta. Já não morava mais com estranhos.

Se viu com saudades de seu lar e foi ao seu encontro e nessa sua volta, se viu com saudades de seu outro lar, aquele mesmo que não morava por nem cinco meses completos, sentia saudades de pessoas que não sabiam de sua existência a meses atrás, ainda não acredita que pôde ter criar laços tão rapidamente.

Aquele que antes só tinha a vontade de sair de seu lar agora tem dois para chamar de seu.

E independente em qual esteja, carrega um pouco da saudade pelo outro.


Todos os textos opinativos publicados no portal Notícias del-Rei são identificados como tal – não refletindo, necessariamente, a opinião editorial do coletivo.

Deixe um comentário