CRÔNICA: PRIMEIRO AMOR

Marina Pedocchi

Sinto como se fosse ontem, um frio na barriga, a coragem disfarçada de medo. Será que seria como das outras vezes? Difícil explicar, se eu nem sabia o que sentia. Às 21h nos encontramos, e, em uma mesa de bar, as palavras começaram a se entrelaçar. Dali em diante eu sabia que ia ser diferente, ou apenas desejasse que fosse…

Papo vem, papo vai. Garçom, desce mais uma! Entre perguntas e risadas, a familiaridade floresceu, o frio na barriga se dissolve, e aos poucos, fui apenas eu. Não há sensação melhor. Queria que esse instante durasse para sempre, mas sabia que ele, inevitavelmente, acabaria.

E é verdade, ele acabou. Mas apenas ali. Naquele momento, soube que meu coração havia encontrado seu lar.

Entre encontros e desencontros, o amor começou a se revelar. O que é amor? Me perguntava diariamente, tentando entender o sentimento novo que despertava em mim. Amor não se explica, se sente. Não amamos alguém apenas pela simpatia ou educação, embora estas qualidades possam encantar. Mas amor vai muito além disso: ama-se pelo cheiro, pelo toque, pelo olhar, pela forma com que o sorriso ilumina o rosto.

Mesmo quando o instante que desejamos que dure para sempre chega ao fim, não há tristeza. Há uma certeza: o que começamos continua a fluir, e o amor que surge vai além de qualquer expectativa ou explicação. É um sentimento que se constrói no dia a dia, nos gestos e pequenas atitudes, sempre renovado pela promessa de que ainda há muito mais por vir.

Mesmo que o momento tenha acabado, a história continua a ser escrita, página por página, com a tinta de um amor que nunca se apaga.


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