TRANSGREDIR PARA RECRIAR: A TRAJETÓRIA E CARREIRA DE RAFAEL SENNA

Júpiter Porã

Vinte e sete anos, natural de São João del-Rei, Rafael Senna é jornalista, fotógrafo e designer gráfico, e ao longo de sua trajetória teve papel fundamental em projetos e iniciativas realizados na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), onde cursou Comunicação Social – Jornalismo, entre 2015 e 2019.

Durante o ensino médio, Rafael descobriu uma paixão por fotografia e participou de alguns cursos gratuitos oferecidos pela UFSJ. A escolha pelo Jornalismo veio através de uma visita na “Mostra de Profissões” da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituição localizada na capital mineira, uma vez que o curso de Comunicação oferecia diversas disciplinas voltadas à fotografia. No entanto, por falta de condições financeiras para mudar de cidade, Rafael decidiu cursar Comunicação Social na universidade da cidade em que nasceu.

Ao ingressar na UFSJ, teve papel fundamental para que pessoas trans e travestis pudessem exercer seu direito ao nome social na universidade. “Na escola, eu sofri muito por causa disso, porque não me deixavam  usar nome social. Entrei na faculdade com esse receio, mas, assim que entrei no curso, o meu veterano Yan Davin me chamou para participar de reuniões para a elaboração e publicação de uma resolução de nome social e, apesar de ter demorado para ser colocada em prática, me senti mais seguro”, argumenta.

A resolução referente ao uso do nome social na UFSJ foi aprovada, mas demorou mais de um ano para ser colocada em prática. Por causa da demora, Rafael conta que postou um texto no Facebook no dia 1 de junho de 2016 relatando o problema. O texto teve muitos compartilhamentos e, no dia seguinte, a UFSJ entrou em contato com o então aluno para resolver a situação. A partir disso, pessoas trans começaram a ter o direito ao nome garantido.

Durante o período na graduação, Rafael foi monitor de “Fotojornalismo” no Laboratório de Processos Fotográficos (LabFoto), a fim de ter mais contato com a fotografia – uma vez que o curso, na época, oferecia apenas duas matérias dessa área.

Foi durante a monitoria que Rafael recebeu o convite da professora Kátia Lombardi para participar da criação de um projeto fotográfico chamado “Transbordar”, junto com a professora Vanessa Maia, o professor João Barreto, o técnico do laboratório de fotografia Marcius Barcelos e sua colega de curso e também monitora do LabFoto, Isabella Sales.

“Transbordar” foi um projeto fotográfico sobre identidade e expressão de gênero, no qual foram produzidos seis ensaios fotográficos com pessoas LGBTQIAPN+. As fotografias foram expostas através de um vídeo na “Mostra Universitária de Audiovisual” (MUDA), projeto que Rafael participou do rebranding e da criação de peças gráficas de divulgação.

Ambos os projetos, assim como a “Revista Contrast” – criada por Rafael em 2015, com três edições publicadas[1] -, foram peças fundamentais para a criação e execução de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o qual constituiu na produção do fotolivro “Corpos Marginais: a imposição da cisnormatividade sobre os corpos trans”.

Depois da graduação

Com a criação da “Revista Contrast”, Rafael descobriu uma paixão por design gráfico e por isso, em 2020, entrou no curso de Design na UFMG, como a intenção de obter um novo título de graduação. No entanto, por causa da pandemia de Covid-19 e por ser um curso mais voltado para arquitetura e design de produtos, acabou desistindo dessa segunda graduação.

Após um período em Belo Horizonte, Rafael retorna a São João del-Rei e consegue um emprego em uma gráfica da cidade, em 2022, onde trabalhou durante cinco meses. Em junho do mesmo ano, ele assume o cargo de designer gráfico de uma outra gráfica na qual trabalha atualmente, sendo responsável pelas artes gráficas de diversas empresas de São João del-Rei e região.

Sendo um designer versátil e competente, Rafael se destaca em relação a outros designers da cidade. Seus objetivos para o futuro são desenvolver sua própria marca voltada para a criação de identidades visuais e iniciar sua carreira acadêmica a partir de um mestrado em gênero, sua área de pesquisa.


[1] As edições da Revista Contrast eram publicadas na plataforma Issuu, porém não estão mais disponíveis na web.

Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: arquivo pessoal

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