“ARRISCAR E AMAR. ATÉ O FIM”; SAIBA QUEM É MARILANE SOTANI

Gabriel Augusto Resende, João Victor Coimbra,
Jhonatan Marques, Laryssa Moreira e Suzana Andrade

A produtora musical Marilane Sotani é, com certeza, uma das figuras mais importantes do cenário cultural de São João del-Rei, onde a cantora nasceu. Conectada com a música desde muito nova, por influência de sua família, cantou em corais de câmara e também fez aulas de flauta e violão no Conservatório da cidade. Desde então começou a se envolver cada vez mais com esse meio, participando de vários projetos dentro e fora do município.

Carreira

Embora não tenha formação acadêmica em Música, nunca deixou que isso a limitasse nem a impedisse de seguir com sua paixão. Ela esteve presente em vários eventos de grande importância, como o Festival de Arte Negra (FAN), onde foi uma das dez cantoras escolhidas de Minas Gerais. Isso tudo levou ao seu reconhecimento em escala nacional. Também participou do “Inverno Cultural“, desde o início, contribuindo para sua organização e ajudando a alavancar a popularidade do mesmo.

Sobre o “Inverno”, que é o principal programa de Extensão da Universidade Federal de São João del-Rei, Marilane avalia que ele “começou como um grande evento, mas hoje em dia se encontra mais tímido”. Mas mesmo assim, ela tem planos para que ele volte a crescer e se adequar a essa nova realidade.

Exerce também, atualmente, a função de terapeuta holística, começando a ter contato com essa prática ainda como paciente. “A terapia foi algo que me conectou comigo mesma – me fez entender mais sobre mim, minhas emoções e pensamentos e me ajudou a lidar com as situações da minha vida”.

Momentos marcantes

Alguns acontecimentos impactaram muito não só a carreira, mas a vida de Marilane. E certamente o mais especial deles foi cantar com Milton Nascimento.

“Cheguei duas horas adiantada no ensaio, com medo de chegar atrasada. Eu estava muito nervosa. Ele passou a maior parte do tempo sentado, mas na minha vez ele se levantou, foi um choque. Me chamou para o palco com ele, se referindo a mim como amiga. Quase não me contive, quis ali pular em cima dele e abraçá-lo. Ele sempre foi muito carinhoso comigo”, narra.

Também vale destacar o prêmio que obteve com a interpretação da música “Ciranda do Firmamento”, a sua participação na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e também um show em solo são-joanense, no qual a atração principal era o cantor Zé Ramalho, mas que teve como estrela a própria Marilane, que foi apelidada de “a prata da casa” e recebeu um grande destaque na mídia.

Preconceito 

Marilane contou que já sofreu diversos tipos de preconceito, como racismo, gordofobia e também etarismo. Destaca, à reportagem, um episódio ocorrido em um festival onde, chegando no evento, uma das cantoras a olhou e disse: “quem é essa? Não subo no palco com cantoras amadoras!”.

Apesar de se sentir muito mal com esse tipo de atitude, ela aponta que tenta manter a calma, mas que mesmo assim não deixa de se impor: costuma contornar as situações através da música, que segundo ela “desperta nas pessoas o que elas têm de melhor”.

Planos para o futuro

Ao ser perguntada sobre seus planos para o futuro, a cantora se mostra pensativa. “O futuro está meio distante, né? Eu gosto mais de pensar no agora, no que tenho que fazer. Mas tenho algumas metas”, inicia.

Além de continuar o trabalho como terapeuta e restabelecer sua carreira musical com o intuito de fazer mais shows, algo que após a pandemia ela deixou de fazer. “Também gostaria de me envolver com mais projetos culturais nos próximos anos”, revela.

Comentários e críticas

Ao ser questionada sobre o cenário musical de São João del-Rei, comentou que, apesar de ser a “terra da música”, “as pessoas não valorizam o que temos aqui, os músicos não são valorizados, acham que somos como máquinas”. Completa dizendo ainda que “os investimentos em cultura não são bem direcionados, falta ainda uma iniciativa para que o potencial cultural da cidade possa ser alcançado”.

Para ela, em relação ao que é necessário para se desenvolver e se aprimorar no meio musical, a busca pelo conhecimento é fundamental.

“Quando trabalhamos com cultura e com arte e não temos o cuidado de estar sempre estudando e aprendendo, acabamos por cair no ostracismo, acabamos sendo deixados para trás”, argumenta.

Arriscar e amar. Até o fim” é a frase que Marilane considera como seu bordão, e que tem um peso muito grande em como ela enxerga a realidade.


Edição: Arthur Raposo Gomes

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