Jak Azevedo
Esses dias me peguei pensando nos filmes de comédia romântica. Eu cresci assistindo aos clichês de Hollywood, e desde cedo, fui enfeitiçada por aquelas histórias onde o amor sempre vence, os obstáculos são superados e tudo parece se encaixar magicamente no final.
Eu sonhava em ser destemida como a Kat de “10 Coisas que Eu Odeio em Você“, durona por fora, mas que só queria ser compreendida. Queria viver uma paixão como a de Jenna e Matt em “De Repente 30“, onde mesmo as adversidades mais difíceis não conseguem apagar o brilho do amor de infância. Ou ser perspicaz como a Andie, que achou o amor mesmo quando não estava procurando.
Ultimamente não sei se os filmes são mais frios, ou se eu sou mais cética. Se a correria da vida adulta desacelera o que é rápido, destempera o que é gostoso e apaga o que é vibrante.
Mas hoje, os filmes não são mais tão sonhadores e tocantes como antes.
As tramas parecem cada vez mais distantes daquela magia que me fazia acreditar que o impossível podia acontecer.
Entre o trabalho, duas faculdades e a correria de uma cidade nova, se eu me sento para assistir a um filme, parece que o que se desenrola na tela não consegue me tocar. A rotina sufocante, as responsabilidades incessantes e a pressão constante de dar conta de tudo parecem roubar a essência dos meus antigos sonhos.
A vida real é mais caótica, menos ensaiada, e os finais felizes parecem um pouco mais difíceis de alcançar.
Mas, ao mesmo tempo, percebo que há uma beleza crua e autêntica na vida real, que os filmes muitas vezes não capturam. A alegria de conquistas pequenas, o conforto de amizades verdadeiras, a satisfação de superarmos desafios cotidianos – esses momentos são os verdadeiros alicerces do nosso roteiro pessoal.
Vou ter que viver meu próprio clichê, com todos os seus altos e baixos. E quem sabe, no meio dessa rotina agitada, eu não acabe encontrando minha própria versão de final feliz?
Talvez meu roteiro não siga o script dos filmes e não termine como eu sonhei quando criança. Mas será genuíno, repleto de imperfeições e momentos únicos.
No fim, o que realmente importa é que cada cena, cada ato, seja vivido intensamente, com coragem e coração aberto.
Imagem de destaque: reprodução / Pinterest
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