ARTIGO: A INVISIBILIDADE DO CINEMA BRASILEIRO

Carolina Matias Maia

Apesar da uma história rica e diversificada, o cinema brasileiro é frequentemente subestimado e estereotipado, tanto dentro do país quanto fora. A desvalorização do cinema nacional vai muito além dos desafios econômicos que o nosso cinema enfrenta: são questões enraizadas e de políticas complexas.

Muitas pessoas enxergam o cinema brasileiro com base em alguns estereótipos de “pobreza, violência e comédia de baixa qualidade”. A reprodução desses pensamentos ignoram a diversidade e a riqueza das produções cinematográficas do Brasil, no entanto, a percepção do público é moldada pelo que é mais divulgado, e, infelizmente, o cinema nacional não recebe a mesma atenção. O cinema brasileiro não tem espaço nas salas de exibição, então o que vemos é o domínio de filmes estrangeiros. Isso impede o público de conhecer a variedade e a riqueza das produções nacionais.

Em entrevista a revista Esquinas, a cineasta multipremiada, Sabrina Fidalgo, diz “[…] Existe uma disputa injusta com a indústria do cinema americano, que é o monopólio, e as pessoas que não têm acesso à educação e à cultura acabam sempre se virando para àquilo que está sendo mais divulgado, e o cinema brasileiro perde nesse sentido, não só hoje em dia, sempre foi assim.”.

A cultura é uma forma importante de transmitir ideologias e, no sistema capitalista, o gosto do público é moldado pelas grandes indústrias, que têm os meios para promover seus produtos. Com menos investimento e divulgação, o cinema brasileiro acaba perdendo espaço e muitas das vezes sendo tratado com um gênero específico pela população, e quando a cultura não é acessível a todos, ela acaba se tornando apenas um produto capitalista voltado para a elite.

As consequências dessa desvalorização são significativas. A nossa cultura perde uma de suas principais formas de expressão, que é o cinema, fundamental para formar e disseminar a nossa identidade.

Valorizar nossas produções cinematográficas é valorizar a nossa cultura, nossa história e nossa identidade. É preciso reconhecer e apoiar o talento brasileiro, garantindo que o cinema nacional tenha o espaço e o respeito que merece.

Para aqueles que acham que filmes brasileiros são ruins seria interessante reconsiderar e dar uma nova chance às produções nacionais. Temos filmes brasileiros de todos os tipos, abordando uma ampla gama de gêneros, temas e estilos que podem agradar a diversos públicos.

Durante o documentário “A desvalorização do cinema nacional” (disponível no YouTube – Canal: Loser Skynoob) ao ser questionado sobre o que o atrai no cinema nacional, o doutorando em Cinema, Marcos Junior, responde: “eu gosto do cinema brasileiro porque ele fala comigo, eu não preciso de traduções, não preciso pesquisar para poder entender” nos vermos representado no cinema, com histórias brasileiras e culturais na tela, cria uma conexão com a nossa identidade cultural porque está falando diretamente com a gente.

A predominância do cinema estrangeiro, insuficiência de investimento e promoção do cinema brasileiro perpetuam um ciclo de desvalorização cultural.

O Brasil tem muito a oferecer através da arte cinematográfica.


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3 comentários sobre “ARTIGO: A INVISIBILIDADE DO CINEMA BRASILEIRO

  1. Concordo com sua opinião porque eu tinha preconceito com o cinema nacional, mas depois de assistir alguns filmes, paguei com a língua por serem filmes muito bons, claro não são todos mais a maioria é ótimo mesmo tendo baixa renda

  2. “O Brasil tem muito a oferecer através da arte cinematográfica.” Isso é um fato mais muitas pessoas fecham os olhos para este fato, tendo no Brasil diversos filmes bons Cidade de Deus, Meu Pé de Laranja Lima, Que horas Ela Volta?, O Auto da Compadecida, Central do Brasil sendo esses alguns dos diversos filmes que o cinema nacional já produziu.

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