Laryssa Moreira
Ano passado eu estava brincando de boneca, contando até cinquenta com os olhos fechados, esperando para encontrar meus amigos que estavam escondidos. Minha vizinha me chamava no portão, a gente criava histórias, viajávamos para o nosso próprio mundo, vivendo nossas próprias aventuras.
Mês passado eu entrei no fundamental, minha mochila, que antes só tinha caderno de desenho, começou a pesar mais, com a quantidade de livros que eu tinha que carregar. “Caramba, vou escrever de caneta! Mas e se eu errar?” Tá, não era um problema tão catastrófico.
Semana passada me diziam o quão importante seria o ensino médio. Começaram os questionamentos repentinos: “Vai fazer faculdade?”, “Que rumo você vai escolher pra seguir?”, porque queriam isso de mim agora? Eu tinha acabado de entrar no primeiro ano, então porque as preocupações já eram sobre o final?
Ontem fiquei ansiosa. Me perguntei como aquela prova deixava milhares de pessoas tão aflitas, até colocarem na minha cabeça que aquilo decidiria o meu futuro. Olhei pro lado e vi aquelas almas tão decididas do que iriam fazer e eu, só queria voltar pro ano passado e vestir minha Barbie com uma roupa legal.
Acontece que não tem apenas um ano que isso tudo passou.
Hoje sou uma garotinha de 2005, mas insistem em me falar que já passei dos 18, e que comecei minha experiência na faculdade.
Amanhã não sei quem eu serei, mas espero que a essência da criança interior nunca suma de mim, afinal, “a gente quer crescer, mas quando cresce, quer voltar pro início” – Kell Smith.
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