Bianka Monteiro, Maria Eduarda Resende
Maria Luiza Meireles, Natália Vitória e Quézia Alexandra
Numa tarde de terça-feira, durante um encontro descontraído, Igor concebeu a entrevista em um café da tarde em uma padaria e contou detalhes de sua trajetória no mundo da educação e em como isso influenciou sua carreira artística.
Nascido em São João del-Rei, Igor Monteiro do Nascimento, de 26 anos, é historiador, designer e produtor, tendo uma carreira notável como músico independente. Ele defende causas sociais e políticas progressistas, tal engajamento reflete em seu trabalho e nas mensagens que transmite através de suas músicas.
“Eu morro de medo de perder meus valores, meus princípios, que a vida tire esse brilho assim, sabe? Então, faço tudo para não viver em função do dinheiro”
A vida na educação
Licenciado no curso de História pela Faculdade Federal de São João del Rei (UFSJ),Igor conta sobre sua paixão pela profissão de historiador e fala como a música influenciou totalmente em sua escolha, caminhando lado a lado e refletindo em suas letras: “Sempre gostei de falar, sempre gostei de me posicionar e sempre gostei que as pessoas ouvissem o que eu tenho para falar. Então, a história agregou na minha vida e nas minhas letras”, completou o músico.
Durante o bate papo, a todo o momento deixou claro suas inspirações, tanto no mundo da música como no ramo da educação. Em um tom de brincadeira, fez questão de pontuar: “Tive um professor no ensino médio, de sociologia, muito bom e assim esquerdo macho que nem eu sou hoje, que mudou muita coisa na minha cabeça. Esse cara foi uma inspiração para eu ser professor”.
“Eu também fiz pesquisa durante a licenciatura. Minha pesquisa estava mais focada numa área da história que tinha uma ‘micro história’ que tem a ver com história cultural e história social, essas coisas assim. Então, é mais um estudo muito sobre personalidades históricas. Não gosto muito de coisas, tipo fatos isolados, sabe? Eu me interesso mais por pessoas na história, gosto mais dessa coisa cultural intelectual”, analisa.
Em um momento de reflexão sobre a infância e adolescência em escolas predominantemente conservadoras, e a vivência de constante violência, Igor avalia o impacto social que isso gerou em sua vida e comenta sobre um de seus trabalhos na área: “Ah, eu amei dar aula. Dei bastante aula no estágio e foi muito massa. Porque fiz nas escolas em que estudei. Então, por exemplo, lá no Pio 12, foi a primeira escola em que eu dei aula e acho que foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Meu bairro é esse, né? Pio 12, Bom Pastor, ele é um bairro de periferia. Convivi a minha infância inteira com violência. Eu acho que isso impactou minha visão de mundo também”, e ainda completa: “É gigante o impacto que tem uma escola na cabeça de um adolescente. É a maior experiência social que ele tem fora de casa”.
Por mais que, algumas situações o fizessem repensar a profissão de historiador, o entrevistado deixou claro sua vontade de seguir na profissão: “Eu amo história. Quero trabalhar com isso ainda um dia”.
O início na área do design
Visando meios de divulgar os trabalhos de sua banda com o mínimo de gastos, Igor enxergou em sua criatividade e talento o pontapé necessário para alavancar a carreira profissional mas confessa que foi totalmente ao acaso que acabou dando certo, já que não tinha nenhum estudo na área.
“No design, comecei há uns 8 anos fazendo flyer dos eventos que a gente tocava e nunca teve dinheiro para fazer divulgação, então, sempre peguei para fazer. E aí eu comecei a fazer muito e de repente uma agência daqui de São João se interessou pelo meu trabalho e me contratou. Trabalhei lá por 4 anos e depois outra agência se interessou e me contratou. Então, hoje é o meu emprego de carteira assinada, sou designer”, pontua.
Acabou dando tão certo que, atualmente, se auto intitula como profissional de designer 3D e leva a profissão como sua principal forma de ganhar renda.
A paixão pela música
Quando era mais novo, conta que não gostava muito de música. Acreditava não ter descoberto ainda um gênero que lhe agradasse, até que, por influência de seu tio Monteiro, que lhe apresentou a banda Beatles e algumas outras coisas do rock, teve o interesse despertado.
Atualmente, sua paixão pela música é transmitida por onde passa e por todos que o conhecem. Atua com muita dedicação nas bandas independentes que participa ativamente. Sendo elas, “Remédio sem causa”, com o nome sendo uma analogia aos problemas psicossociais sofridos, sendo o fundador.
Há cinco anos, entrou na “Churrus”, como baixista e participa também da banda “Capt Lopes and the Crazy Toads”, que deu início aos shows em 2018.
“Referência lírica pra mim é o Chico Buarque e o Jair Naves. São os dois que, assim que estou escrevendo alguma coisa imediatamente me remeto a eles”, ressalta o músico, expondo suas maiores inspirações e demonstrando com muito orgulho o passo mais importante dado pela banda “Remédio sem Causa“, o lançamento do single com participação de “Jair”.
Igor conta à reportagem que haverá lançamento de álbuns em dois de seus projetos musicais. A “Churros” lançará seu quinto álbum e a “Remédio sem Causa” lançará seu segundo projeto independente. As músicas podem ser encontradas nas principais plataformas de streamings.
Conhecendo sua inspiração
Ao dizer que se inspira em Jair Naves, conta que o conheceu pessoalmente, chegando a tocar juntos em casas de shows. Ressaltou com felicidade a importância do músico em demonstrar apoio a bandas independentes: ”a gente lançou um single com a nossa maior referência acima de todas”.
Desvalorização do artista independente no Brasil
“A nossa realidade é muito dura. A banda não me dá dinheiro não, bicho. Não dá um real, sabe? A gente faz o que a gente ama mesmo, a gente tem o nosso público que incentiva pra caramba, mas, por exemplo, a gente vende camisas e ganha mó grana, ai tem que fazer mais camisas e gastar mais dinheiro. É normal no nosso cenário independente no Brasil, não tem como ganhar dinheiro”, analisa Igor, durante a entrevista.
Um futuro brilhante
“Tudo que eu faço é porque quero deixar um legado”, o músico mineiro pontua ao encerrar a entrevista.
Descontraído e disposto, demonstrando sempre um otimismo ao enfrentar as adversidades, Igor Monteiro não só inspira através de suas letras e acordes musicais, como também ajuda a encontrar na educação uma fonte inesgotável de sabedoria. Profissões que caminham lado a lado e se completam, fazendo do artista uma referência para jovens e adultos por onde quer que passe.

Edição: Arthur Raposo Gomes
